O poder e a direita
Terça-feira, 8 de Setembro, Assembleia Municipal de Lisboa. Depois de, no espaço de uma hora, os partidos terem apresentado e discutido catorze documentos, é preciso votá-los. Um desses documentos era a Moção 037/04 submetida pelo Bloco de Esquerda sobre o acidente com o elevador da Glória. De rajada, no final desta hora, os deputados devem votar catorze documentos cujo sentido de voto é, muitas vezes, distinguido ponto por ponto. É frequente haver distracções, enganos, pedidos de repetição. Assim aconteceu, o Chega não levantou o braço quando devia, portanto não expressou a tempo o sentido de voto da bancada. Mas aqui deu-se um caso importante para o desenvolvimento do episódio: naquele documento do BE, o presidente da Mesa levantou apenas duas perguntas: “Quem vota contra?”, e “Quem se abstém?”. Não perguntou “Quem vota a favor?”. No entanto, a Mesa atribuiu ao Chega seis votos favoráveis que nenhum deputado manifestou. Ainda durante as votações, no período das declarações de voto, o Chega pediu desculpa pela distracção, explicou-a pela sucessão rápida de documentos e proferiu uma declaração inequívoca: “Sobre a Moção 037/04 do Bloco de Esquerda nós queremos votar CONTRA”. Resposta reveladora do presidente da Mesa: “Queriam!”.
Sucede ainda que, no mesmo dia e na mesma sucessão de votações, o PSD também não manifestou o sentido de voto sobre um documento. A Mesa........
