Cultura, financiamento e democracia
Concentremo-nos na EGEAC (Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural), inestimável instituição erguida com dinheiros públicos e direito privado, na qual o orçamento da Câmara de Lisboa para 2026 prevê gastar mais de 20 milhões de euros. Este dinheiro não financia apenas equipamentos; financia escolhas, prioridades e uma determinada concepção de cultura. O dinheiro público não é neutro, desde logo porque elegemos os responsáveis pela sua administração. Fingir que é, isso sim, é um gesto ideológico autoritário.
Lisboa não tem hoje um teatro de programação. Tem outra coisa. Por isso importa distinguir dois exercícios muito diferentes: gerir um espaço cultural e programá-lo. É a diferença entre gerir e governar. Gerir é um exercício de economia, próprio das empresas: ter um teatro e alugá-lo, sem critério, a quem o queira usar. Programar não é administrar um edifício, da mesma maneira que o Presidente da Câmara não é o gerente de Lisboa. É aqui que a programação deixa o plano administrativo e passa para........
