EUA 2026: Um castigo eleitoral previsível
Na próxima terça-feira, os norte-americanos voltam às urnas dois anos depois de terem reelegido Donald Trump para a Casa Branca. Em 2024, Donald Trump conseguiu uma reeleição histórica, com maiorias nas duas câmaras do Congresso. Agora, tudo indica que lhe vão tirar pelo menos metade do Congresso. As previsões mais conservadoras dão aos democratas 80% de probabilidade de reconquistarem a Câmara dos Representantes, e Nate Silver, talvez o analista eleitoral mais lido do país, afirmou recentemente que a eleição parece estar fortemente inclinada para uma vitória democrata. Nas sondagens nacionais, os democratas vão quase nove pontos à frente, e a aprovação do Presidente anda pelos 37%, abaixo do que tinha por esta altura em 2018.
No Senado, a disputa entre democratas e republicanos está mais renhida. Os modelos dão aos democratas perto de 58% de probabilidade, e há académicos que continuam a apostar nos republicanos. Isto acontece porque o mapa eleitoral do Senado é difícil para os democratas: para obterem a maioria, precisam de ganhar não só nos estados tradicionalmente democratas, mas também em estados de inclinação mais conservadora, como o Texas, o Ohio e o Alasca, que Trump ganhou com folga há dois anos.
As eleições intercalares (midterms) calham a meio do mandato presidencial. O partido do Presidente costuma perder as intercalares, como aconteceu a Bill Clinton em 1994, a George W. Bush em 2006, a Barack Obama em 2010 e 2014, a Donald Trump em 2018 e a Joe Biden em 2022. Se observarmos 2026 através desta perspectiva, nenhuma das previsões é particularmente surpreendente. O padrão repete-se porque se baseia numa série de tendências estáveis de comportamento eleitoral.
Os presidentes eleitos e os seus partidos tendem a ler a sua vitória presidencial, muitas vezes acompanhada de um Congresso da mesma cor, como um mandato político mais amplo do que aquele que o........
