menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Ultrapassámos o Adamastor, não novos Cabos das Tormentas

9 1
06.02.2026

As tempestades e outros fenómenos meteorológicos extremos não eram comuns nas nossas vidas. Por tantas vezes nos vangloriávamos a nós mesmos por vivermos neste “paraíso à beira-mar plantado” onde nada parecia tocar. Mas a realidade mudou! Cada vez mais somos assombrados por estes fenómenos que além de mais frequentes têm se tornado mais intensos e mais extensos no que diz respeito à amplitude de áreas afetadas. A verdade é que o risco aumentou, mas a nossa cultura de segurança, preparação para o risco, é ainda frágil e dá cada vez mais provas disso.

Este artigo não pretende ser uma crítica política à atuação em nenhum caso específico, nem o clássico “chorar sobre o leite derramado”, mas sim uma reflexão sobre o futuro, sobre a necessidade de implementarmos e desenvolvermos neste país uma verdadeira cultura de segurança. Uma sociedade segura não é aquela que reage bem depois do desastre ou aquela que recebe elevados níveis de solidariedade nacional, mas sim aquela que prevê e age corretamente antes dele. Sei que talvez possa parecer cedo ou frio para esta reflexão, no momento em que ainda temos comunidades em pleno sofrimento com o que ocorreu ao longo da última semana, mas podemos estar tão próximos de eventos do género que tive mesmo a necessidade de lançar o alerta.

A fragilidade da cultura de segurança em muitos países e em especial no nosso, não resulta da ausência de sistemas de aviso ou de planos formais de emergência, pois na verdade os sistemas de proteção civil têm evoluído significativamente ao nível tecnológico: alertas por SMS, comunicações em tempo real e previsões meteorológicas cada vez mais precisas. No entanto, permanece um problema estrutural raramente discutido com profundidade: a ausência de uma verdadeira cultura de segurança na população. E, esta resulta, sobretudo, de um défice de segurança comportamental, ou seja, da incapacidade coletiva de transformar informação em ação protetora. Na prática, o risco é comunicado, mas não é interiorizado, porque receber um alerta não é o mesmo que lhe........

© Observador