Um bispo, um presidente e um ministro entram numa escola...
1 A Igreja em Portugal precede, em vários séculos, o Estado. Há relatos, tradições e indícios arqueológicos que testemunham a presença cristã no que é hoje Portugal quase desde os princípios do cristianismo.
Quando Afonso Henriques conquista Lisboa, marco essencial na expansão do novo reino, já cá havia um bispo e uma comunidade cristã. Aliás, a relação entre os cristãos romanos e os moçárabes seria um tema no reinado do primeiro rei.
O Papa será o garante do reconhecimento internacional da independência nacional, primeiro ao reconhecer Afonso Henriques como Miles Sancti Petri e vassalo do Papa, e mais tarde como Rei, através da Bula Manifestis Probatum.
A Igreja foi essencial para o crescimento de Portugal. Desde as inovações agrícolas da Ordem de Cister à defesa das fronteiras pelas ordens militares, a história dos alvores da nacionalidade confunde-se com a da Igreja.
2 Durante séculos, a Igreja e o Estado em Portugal coexistiram como fontes de autoridade. Muitas vezes em colaboração, outras em tensão, e até em confronto claro. Mas, na Idade Média e em boa parte da Idade Moderna, a Igreja era parte constitutiva da identidade nacional. De tal forma que, no extremo Oriente, em países como o Sri Lanka ou a Tailândia, português e cristão são a mesma coisa.
O despotismo do Marquês de Pombal haveria de trazer grandes alterações à relação entre o Estado e a Igreja, que marcariam o princípio da submissão da Igreja pelo Estado que haveria de durar quase duzentos anos.
Na ânsia de centralizar em si todo o poder, Sebastião José tratou de chamar a si o Santo Ofício, que usou para perseguir os seus inimigos (de resto, a fase mais mortal da Inquisição em Portugal) antes de o dissolver, promoveu as teses do Padre António Figueiredo sobre o Regalismo, colocando a autoridade do Rei sobre a Igreja acima da do Papa (sobre o assunto vale a pena ler Pombal contra Roma – A tentativa teológica do Padre António........
