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O maior crime contra a matemática

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31.03.2026

Na semana passada, após votação na Assembleia-Geral, a ONU declarou o tráfico transatlântico de escravos como o maior crime contra a humanidade. A declaração foi aprovada com 123 votos a favor e apenas 3 votos contra (EUA, Israel e Argentina). Portugal absteve-se, juntamente com 52 outros países, incluindo os membros da União Europeia e o Reino Unido.

O Governo português foi fortemente criticado. Quer por parte de quem acha uma vergonha não ter votado a favor, quer por parte de quem acha que não ter votado contra é uma vergonha. À primeira vista, parece uma abstenção sonsa. Das duas, uma: ou Portugal considera que participou no maior crime de sempre e votava a favor; ou considera que o tráfico transatlântico de escravos não foi o maior crime de sempre e votava contra. Posto perante estas duas hipóteses, optou por não se decidir.

Fez bem. Portugal é um país com níveis razoáveis de numeracia, portanto sabe que não se tratou do maior crime de sempre. Por outro lado, como lhe dá jeito a fama de ter entrado no maior crime de sempre, deixou passar. Isto é o que se faz na prisão: mesmo sendo uns choninhas, convém que os outros prisioneiros julguem que somos o bad boy do refeitório.

A votação está envolta em polémica. O principal problema é que não se conhecem os critérios usados para avaliar o conjunto de todos os grandes crimes contra a humanidade e, cotejando-os, decidir que o tráfico........

© Observador