Sánchez, a Europa e a Guerra
Começo este artigo com um conjunto de perguntas simples. Alguém acha que a actual guerra no Médio Oriente vai terminar bem? Alguém acha que, dos escombros deste conflito, vai emergir no Irão um regime mais respeitador dos direitos humanos, uma democracia remotamente funcional? Alguém acha que existe um plano em Washington para o que fazer depois da fase inicial a que estamos a assistir? As respostas a estas perguntas são fáceis. Em primeiro lugar, a memória das últimas décadas de intervenção Ocidental no Médio Oriente, do Afeganistão ao Iraque, passando pela Líbia, mostra as enormes dificuldades em realizar qualquer tipo de mudança de regime de forma eficaz. Todos nos lembrámos das imagens do Verão de 2021. 2.3 triliões de dólares depois, os Estados Unidos saíram humilhados de Cabul, entregando novamente o país aos Talibãs. Em segundo lugar, a administração Trump está notoriamente sem saber quais os passos seguintes na guerra com o Irão. A cacofonia dentro da administração é bem disso demonstrativa. Desde o início da guerra ouvimos toda a sorte de opiniões sobre os seus objectivos, a sua duração, a necessidade de ter homens no terreno. Não existe um plano coerente, o que dificulta uma tarefa que era, já de si, hercúlea.
A Europa está numa posição extremamente delicada. Trump tem utilizado fortemente a geoeconomia, um conceito popularizado por Edgar Luttwak depois da Guerra Fria para descrever uma abordagem às relações entre estados em........
