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A pobreza não se combate com desconfiança

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18.06.2026

A criação de uma Prestação Social Única é, em si mesma, uma boa ideia. Não nasceu agora, nem pertence a este Governo. Foi inscrita no PRR por iniciativa do Partido Socialista, com um propósito claro: simplificar o acesso aos apoios sociais, tornar o sistema mais compreensível para os cidadãos, reduzir burocracias e reforçar a capacidade do Estado para proteger quem mais precisa.

O problema não está, portanto, no princípio, mas na forma como o atual Governo escolheu concretizá-lo. E, sobretudo, na visão política e moral que parece atravessar a proposta apresentada.

Durante demasiado tempo, em Portugal, a pobreza foi tratada quase como um fruto natural da sociedade. Como se houvesse pobres porque sempre os houve, ou como se a desigualdade fosse uma fatalidade e não o resultado de escolhas económicas, sociais e políticas. Em suma: aos pobres reservava-se a caridade; aos ricos, o conforto moral de ajudar quando queriam, como queriam e sob as condições que entendiam.

Essa visão nunca desapareceu completamente. Apenas se adaptou aos tempos. Hoje já não surge apenas sob a forma da esmola, mas também sob a forma da suspeita permanente. O pobre não é visto como cidadão titular de direitos, mas como alguém que tem de provar continuamente que merece ser ajudado. Não lhe........

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