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«Ninguém morre de amores por um realista político»

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13.04.2025

Em França, o panorama eleitoral alterou indelevelmente a partir de 2007. Outrora marcada por uma combatividade estritamente confinada ao paradigma partidário entre candidatos ao centro – recordemos os intensos confrontos que opuseram Chirac a Mitterrand desde 1986 – a disputa presidencial entre a populista de centro-esquerda Royal e o desabrido de centro-direita Sarkozy foi jogada no limite da adequação para um combate numa democracia tão vibrante como a gaulesa. Para o vencedor eventual, mais do que duas propostas políticas e ideológicas para aquele Estado, estavam em jogo dois modelos de moralidade particularmente distintos: «[n]uma campanha presidencial, não podemos mentir. Não podemos ocultar quem somos e o que pretendemos. Não podemos esconder que tipo de líder político almejamos representar. Não podemos manter rodeios em torno de coisa nenhuma, nem podemos deixar de nos comprometer com algo ou alguma coisa». Especificamente, a lesão do caráter do adversário encontrou, amiúde, o seu espaço mediático: para a socialista, Sarkozy era uma «escolha perigosa para o Eliseu»; para o gaulista, a Royale faltava-lhe «temperança e calma».

Cinco anos volvidos, apesar de um mandato atolado em escândalos políticos diversos (ainda sem consequências jurídicas de monta) – do secreto financiamento de campanha por intermédio da já incapacitada Lilliane Bettencourt ao escândalo de corrupção de Karachi e aos alegados kickbacks negociados com o Paquistão pelo padrinho de casamento de Sarkozy, Nicolas Bazire – a impopularidade e censura pelo eleitor imputada ao então Presidente da República Francesa não proscreveu a sua recandidatura ao cargo político mais importante daquele ordenamento. Contra um banalíssimo projeto de Hollande, o incumbente, de regresso ao seu estilo político intempestivo........

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