Paris nas mãos da direita
Os problemas que assolam Paris não são diferentes dos das grandes capitais europeias, como a falta de acesso à habitação, falhas na mobilidade urbana ou insegurança. No entanto, Paris é um caso inédito entre as principais cidades europeias de governação socialista ininterrupta desde 2001, ora sozinhos, ora em alianças. Os efeitos estão à vista. Entre o agravamento da dívida municipal para valores recorde (10 mil milhões de euros) e a duplicação dos impostos sobre a propriedade para financiar a expansão do parque habitacional público para mais de 25% do stock municipal, o aumento sem precedentes do rácio de funcionários municipais por habitante (40:1), a guerra aberta contra os automóveis que tornou a vida um pesadelo para os habitantes dos subúrbios ou a normalização de acampamentos de sem-abrigo e migrantes no espaço público, o pensamento socialista foi sempre comandando os destinos da cidade. A cidade mais visitada do mundo, que deveria encarnar o melhor de França, passou a simbolizar alguns dos maiores fracassos políticos nacionais.
Neste contexto, as sondagens para a primeira volta das eleições municipais, em Paris, indicam uma passagem inédita de cinco candidatos à segunda volta, três deles do espaço da direita. Apesar da corrida aberta, ao alcance da vitória final parecem estar as candidaturas do socialista Emmanuel Grégoire, apoiado por comunistas e “verdes”, e da candidata dos “republicanos” e líder da oposição municipal, Rachida Dati.
Grégoire conduz uma campanha centrada na continuidade e no........
