A substituição de Mélenchon
Para muitos, a “grande substituição” de Renaud Camus não passa de uma teoria conspirativa caricatural. Para outros, corresponde a uma realidade demográfica, comparável a tantas outras transformações civilizacionais ocorridas ao longo da história. Curiosamente, Jean-Luc Mélenchon, que anunciou recentemente a sua quarta candidatura ao Eliseu, parece subscrever o fenómeno. Contudo, evita o termo “grande substituição”, preferindo o conceito de “creolização”. Ou seja, em vez de lamentar a transformação demográfica e cultural da França, celebra-a como fundamento do que chama uma “Nova França”, inevitavelmente mais diversa e mestiça. Aquilo que Camus descreve como “substituição”, Mélenchon apresenta como uma recomposição benéfica e desejada e, cada vez mais, como um projeto político e eleitoral.
Rebobinemos um pouco. Nas eleições presidenciais de 2022, Mélenchon obteve resultados expressivos nas localidades com maior concentração de........
