Eu quis ensinar
Não por vaidade nem por missão divina, mas por uma espécie de necessidade a vir de dentro, como a seiva a subir, teimosa, por um tronco velho de anos.
Quis ensinar sobre plantas, bichos e rochas e sobretudo rochas, memórias de outro tempo sem pressa de passar.
Achava, ingénuo talvez, tornar o mundo mais inteiro se levasse a natureza para dentro da sala de aula. E se a Natureza não coubesse inteira na sala, então toca de levar os alunos para dela e devolvê-los ao pátio, à terra e ao espanto de existir.
A fórmula era simples: usar o pátio como laboratório e o recreio como um livro aberto.
O pátio da escola, lembram-se, com o cheiro do pó e das flores cansadas da Duranta, as pequenas flores lilases ignoradas por todos mais os frutos dourados por colher?
E eu pedia aos miúdos para tocar, sentir e........
