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A política do conclave

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09.03.2025

Nos Óscares, o “conclave” da Academia, nunca é a dúvida que faz a unidade, mas a certeza. Sabemos, à partida, que Hollywood, num ritual bem coreografado, irá de alguma forma celebrar a moral oficial e o pensamento correcto do momento, deixando escapar uma ou duas graças que deem a todos a sensação de que comungam, não da unanimidade “liberal” da classe, mas de um certo activismo subversivo, sinal de progresso, de inteligência informada, sinal de que ali ainda se vai rugindo, qual leão da Metro-Goldwyn-Mayer, contra “a ignorância, o conservadorismo e as convenções”.

Mas, este ano, os filmes Conclave e Emilia Perez, que tinham uma orquestração mediática a empurrá-los para o sucesso (talvez por incluírem a causa da moda, com a eleição de um Papa hermafrodita, em Conclave, e a redenção de um assassino mafioso transsexuado numa santa mulher, em Emilia Perez), só tiveram um Óscar cada um: o de melhor actriz secundária para Zoë Saldaña, em Emilia Perez, e o de melhor argumento adaptado, para Conclave.

Num momento tão tenso para a América e para o mundo, esperava-se mais de Hollywood do que esta ténue derrota do patriarcado tóxico em dois dos seus “antros” – o coração da Igreja Católica e a máfia mexicana. Ou do que o comentário do apresentador, Conan O’Brien, para dar conta do sucesso do grande vencedor da noite, o filme Anora (à volta do romance entre uma “trabalhadora do sexo” russo-americana de Brooklyn e o filho de um oligarca russo): “Calculo que os americanos se entusiasmem ao verem finalmente alguém fazer frente a um russo poderoso”.

A história do Conclave baseia-se no livro homónimo de Robert Harris, um mais que bem-sucedido autor de best-sellers. Harris foi o autor de Fatherland (1992) e, mais recentemente, da trilogia Imperium, uma ficção........

© Observador