Terrorismo: mais ursinhos e flores?
Os ocidentais têm enfrentado o horror dos atentados islamistas desde, pelo menos, os anos 80 — a França sofreu vários atentados islamistas nesse período — mas o terrorismo islâmico intensificou-se verdadeiramente na década de 2000 e continuou a agravar-se nos anos 2010: Nova Iorque (2001), Madrid (2004), Londres (2005), o Bataclan em Paris (2015), a decapitação do padre Hamel em França em 2016, foram apenas alguns exemplos. Eram atentados perpetrados por células islamistas bem organizadas, constituídas por dezenas, quando não centenas, de terroristas, financiados com dinheiro sujo das máfias argelinas, turcas, marroquinas, etc… A partir de 2016, porém, os europeus começaram a assistir a um novo tipo de terrorismo: esfaqueamentos e atropelamentos perpetrados por jihadistas solitários, com poucos meios, aquilo a que alguns chamaram o “jihadismo do pobre”.
De facto, nos últimos 10 anos, temos vindo a assistir a terroristas isolados que se radicalizam na internet, pegam numa faca e atacam ao acaso “kuffars” (infiéis — não seguidores do Islão) na rua. Por vezes, utilizam um camião (Nice, 2016) ou um automóvel (em dezenas de atentados semelhantes). Desta vez, foi a Itália a experimentar este fenómeno. Um marroquino nascido em Itália — ou um italiano de origem marroquina, como preferirem — pegou num carro e decidiu atropelar várias pessoas em Modena, sendo que uma das vítimas teve de ser amputada das duas pernas. Depois de ter embatido contra um murro, saiu do veículo e esfaqueou as pessoas que o tentavam perseguir. Muitos ouviram a agora tristemente célebre expressão: “Allahu Akbar”.
É curioso constatar que face ao aumento deste tipo de ocorrências, alguns meios de comunicação social passaram a evitar a designação de “ataques terroristas”, optando antes por expressões como “ataques isolados por indivíduos com perturbações mentais” ou, noutros casos, por descrições ainda mais vagas, como “veículos loucos que atropelaram…”, como se os veículos fossem possuídos por alguma Inteligência Artificial maléfica ou um espírito demoníaco. Alguns críticos consideram que esta mudança de linguagem reflecte uma espécie de eufemização mediática do fenómeno. A “Novilíngua” (para citar Orwell) dos meios de comunicação torna-se, assim, cada vez mais difícil de interpretar. É apenas estranho constatar que as pessoas que realizam este tipo de ataques na Europa costumam, na maioria dos casos, queimar Igrejas (mas raramente mesquitas), atropelar pessoas em mercados de Natal, esfaquear europeus nativos, decapitar professores que falaram em laicismo (caso do professor Samuel Paty em França) ou degolar padres católicos… São “loucos”, sim, mas “loucos selectivos”.
Entretanto, a realidade tem sido cada vez mais difícil de esconder ao público, por mais que os políticos, as........
