Lei laboral ou o suicídio dos sindicatos
Quando um dirigente sindical tem de decidir se é mais fiel ao seu partido ou aos trabalhadores que representa o que decide? É muito difícil acreditar que não cairá na tentação de ir, primeiro, ao encontro dos objetivos e interesses do partido em que milita. É por isso, também, que os sindicatos hoje pouco nos representam, ainda que façam muita falta associações que defendam os interesses de um dos mais importantes parceiros (stakeholders, na versão em inglês) de uma empresa, os seus empregados.
Aquilo a que se tem assistido no processo de negociação, da proposta de reforma de legislação laboral apresentada pelo governo de Luís Montenegro, é o mais triste exemplo da decadência e suicídio dos sindicatos enquanto grupos que deveriam defender os interesses dos trabalhadores.
A CGTP, que sempre permitiu que fosse confundida com o PCP, depois de se ter recusado a participar nas negociações, optou por várias encenações, dizendo que não estava a ser convocada para reuniões onde previamente não quis estar.
A UGT, representada pelo seu secretário-geral Mário Mourão e militante do PS foi colocando várias linhas vermelhas e acabou a chumbar uma proposta que nem foi a última que esteve em cima da mesa no dia 6 de Abril. É muito difícil perceber o que levou a UGT a actuar desta maneira, já que as hipóteses que se abrem colocam-na mais ao serviço dos partidos do que dos trabalhadores. E 53 reuniões depois continua a dizer-se aberta à negociação.
Podemos levar em conta tudo, nomeadamente que o Governo explicou mal a reforma e, além disso, devia tê-la feito acompanhar com outras medidas que pudessem atuar mais diretamente na........
