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Igreja Católica, a pedra angular da nossa civilização

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28.03.2026

No cerne da cultura ocidental, a figura de Jesus Cristo não se limita ao dogma religioso, mas ergue-se como o logos que reconfigurou a ética e por consequência a sociedade. A sua influência foi catalisadora de uma revolução ontológica que conduziu aprofundas transformações sociais e históricas.

A doutrina, ou se quiserem os princípios filosóficos de Jesus Cristo, funcionaram como uma catarse entre a antiguidade clássica e a modernidade. O seu impacto foi tão profundo, que o seu nascimento marca o início de uma era.  Esta nova abordagem filosófica modificou a natureza de Deus e por consequência a do Homem.  Enquanto a lei mosaica se dirigia ao Povo de Israel como comunidade corporativa, Jesus isola o indivíduo e a sua responsabilidade pessoal na salvação da alma. Ao atribuir a cada ser humano o dom da salvação, a doutrina cristã criou as bases para o que viria a ser o individualismo liberal. A parábola das ovelhas mostra de forma inequívoca a preocupação com o indivíduo. “Qual de vós é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai em busca daquela que se perdeu até que a encontre”. Ao dizer “dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, ou “O meu reino não é deste mundo”, Jesus lança as bases para a separação entre o Estado e as instituições religiosas. Nesta época, estes princípios filosóficos eram profundamente revolucionários.

Na transição do século IV para o século V, Agostinho de Hipona (Santo Agostinho) elevaria a importância da individualidade de cada ser humano. Através da doutrina da Graça e do Livre-arbítrio, reforçou os princípios da liberdade individual e lançou as bases para os conceitos que viriam a ser usados na Reforma Protestante. Ao constatar a queda do Império Romano do Ocidente, Agostinho distinguiu a Cidade de Deus da Cidade Terrena, enfatizando a separação entre o poder secular e o poder religioso.

No século XIII emergiram dois........

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