O autorrádio que pode salvar vidas
Existem temas que parecem pequenos até ao dia em que deixam de o ser. A presença do autorrádio no automóvel é um desses casos. Durante décadas, o rádio no carro foi um elemento tão óbvio quanto o volante: estava lá, era simples, funcionava e servia tanto para entretenimento como para informação. Atualmente, o automóvel está a transformar-se numa plataforma digital, com ecrãs, assistentes de voz, lojas de aplicações e integrações com sistemas tecnológicos variados. Esta transformação traz amplos benefícios em termos de conectividade, segurança e experiência do utilizador. No entanto, implica, também, uma consequência que as políticas públicas não devem ignorar: quando se altera a interface do carro, altera-se, igualmente, a forma como o cidadão acede à informação.
O risco não é o rádio desaparecer. O risco é o rádio tornar-se menos acessível, menos visível e menos “natural” na utilização quotidiana, dado que passa a depender de escolhas de design e de modelos de negócio definidos por terceiros. No mundo dos ecrãs e da voz, o que conta é a proeminência e a simplicidade. A European Broadcasting Union (EBU) tem sido clara neste ponto: o rádio pode continuar a existir tecnicamente, mas deixa de existir, na prática, se for empurrado para menus, se exigir muitos passos, ou se for substituído por interfaces baseadas em aplicações informáticas (APP) e depender da disponibilidade de dados móveis.
Portugal tem razões concretas para levar este tema a sério. Tanto no apagão de abril de 2025, quando........
