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Um ano de "Água que Une" e a urgência de sair do papel

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23.03.2026

Há um ano nasceu, de urgência, a “Água que Une”, uma estratégia de mais de 5 mil milhões de euros, com 300 medidas para garantir, até 2030, resiliência hídrica no país. Um ano depois, continua sem garantias de financiamento e a urgência evaporou-se. O setor agrícola, e bem, congratulou-se pela ambição. Doze meses depois, o terreno conta uma história diferente: o que avançou foi, na sua esmagadora maioria, obra já planeada e financiada antes desta estratégia existir. O novo fôlego financeiro e político prometido continua, em grande medida, por desembolsar — e o principal veículo institucional criado para o efeito ainda não foi formalmente constituído.

Com as barragens a 94% da capacidade, instalou-se o mais perigoso dos estados: o conforto hídrico. Esta água, que tranquiliza, veio do céu — não das reformas. A realidade estrutural não mudou: até 2040, Portugal enfrentará uma quebra de 6% na disponibilidade hídrica e um aumento de 26% no consumo, com o sector agrícola a pressionar mais 29% de consumo face aos valores atuais. Nas secas recentes, cada uma foi considerada imprevisível. A próxima não será diferente. E quando chegar, apanhar-nos-á, uma vez mais, a debater projetos que nunca saíram da gaveta. Acresce que, dos 5 mil milhões prometidos, pouco mais de mil milhões têm cobertura confirmada em instrumentos financeiros existentes. Os restantes dependem ainda de fontes por assegurar. Uma estratégia construída sobre financiamento incerto é, no limite, um cheque que pode não ter cobertura quando mais precisarmos de o cobrar.

Para que a “Água que Une” não fique para a história como mais uma estratégia que Portugal soube escrever, mas não soube executar, são precisas escolhas corajosas e realistas. Não apenas boas intenções, mas medidas com nome, data e dono.

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