Político reformador e senso comum
Em maioria ou minoria, no poder ou na oposição, no espaço público ou no recato de um ministério – um político reformador nunca deixa de o ser. Tal sensibilidade continua ausente nos espaços de poder em dias de um saudável reequilíbrio sociopolítico que se vai espraiando pela Europa e Américas, uma vez que ainda não sobressaiu quem acertasse no alvo: o senso comum. Sem essa lucidez, a regressão das reformas retornará na primeira curva (leve) da história considerando que as transformações estruturais, as que geram impacto civilizacional, apenas se sustentam quando as pessoas comuns, por si mesmas, as reproduzem e transmitem às gerações seguintes. Assinalo três traços possíveis de um perfil político reformador.
1. Manter o hábito de distinguir o «essencial» do «acessório» ou a «causa» da «consequência». O senso comum possui palavras capazes de assegurar a transição mental do sujeito coletivo do «caos» (o âmago das crises endémicas) para a «ordem», o conteúdo social de um verdadeiro ciclo de reformas. Basta valorizar as primeiras palavras («essencial» e «causa») que, por si, esvaziam hábitos quotidianos alimentados pelas segundas («acessório» e «consequência»). Sem essa distinção, a tónica recai no acessório, nas últimas palavras, pela facilidade com que criam a ilusão de grandiosidade da vida coletiva na exata medida, porém, em que o pensamento e as práticas de senso comum são conduzidos ao abandono do «mundo inteligível», o lugar platónico da razão humana, para, em sentido inverso, se autoaprisionarem no «mundo sensível», nas sombras da caverna da irracionalidade. Tal distorção do sentido existencial dos povos torna (quase) impossível ao senso comum reconhecer que a energia do ser humano é limitada e que os recursos disponíveis são sempre escassos. Logo, é a gestão racional das pequenas coisas no dia-a-dia que gera sociedades justas, seguras, pacíficas e prósperas.
2. Tornar um traço da vida política e cívica a distinção entre «sociedade» e «instituição», as duas componentes de um «sistema social». «Sociedade» quer dizer espaço aberto, é o........
