Trump, Mercosul e autossabotagem europeia
A 17 de janeiro, a União Europeia e o Mercosul assinaram, finalmente, um acordo comercial que levou mais de 25 anos a ser negociado. Para Portugal, este não é apenas um detalhe técnico, ou uma abstração diplomática: temos já hoje relações económicas relevantes com o Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, mas claramente desequilibradas. Exportamos cerca de mil milhões de euros e importamos aproximadamente 3,5 mil milhões, resultando num défice de 2,5 mil milhões, com o Brasil a pesar decisivamente neste saldo.
Numa altura em que a Europa procura crescer, diversificar mercados e reduzir vulnerabilidades externas, e perante um Donald Trump imprevisível e protecionista, este acordo deveria ser uma oportunidade para corrigir parte destes desequilíbrios e abrir um novo ciclo de investimento e cooperação. Por isso, fica difícil compreender a decisão do Parlamento Europeu de remeter o acordo para o Tribunal de Justiça da União Europeia, instalando uma nova fase de incerteza.
Claro que a legalidade importa. O Estado de Direito é um pilar europeu, não um entrave. Mas há uma linha clara entre escrutínio jurídico e paralisia institucional, entre garantir conformidade e instrumentalizar os procedimentos como álibi para não decidir. Infelizmente, esta tendência autodestrutiva repete-se: quando o mundo exige velocidade e execução, a Europa escolhe hesitação, complexidade e burocracia. A verdade é que enquanto os Estados Unidos usam instrumentos de poder económico com rapidez e a China combina escala com velocidade, a UE tende a transformar decisões estratégicas em maratonas processuais. O resultado não........
