Do ativismo à legitimação do terrorismo
Em outubro, os Verdes britânicos discutirão uma moção apresentada pela ativista palestiniana Lubna Speitan que classifica o sionismo como uma ideologia racista, rejeita a solução de dois Estados, reconhece a legitimidade da resistência palestiniana «por todos os meios disponíveis ao abrigo do direito internacional» e contesta a proscrição do Palestine Action UK ao abrigo do Terrorism Act 2000. Mais do que uma tomada de posição sobre Gaza, o documento procura redefinir as fronteiras entre ativismo político, luta armada e violência legitimada.
Uma leitura integral da moção demonstra que não estamos perante uma simples resolução de política externa. O texto caracteriza Israel como um projeto colonial de povoamento, define o sionismo como uma ideologia racista, rejeita determinadas definições de antissemitismo e defende uma única entidade política em toda a Palestina histórica. Mais controversa é a defesa da resistência palestiniana através de «todos os meios disponíveis ao abrigo do direito internacional», expressão que deixa em aberto os limites da ação considerada legítima.
O problema central da moção não reside na crítica a Israel. Essa crítica é legítima e faz parte do debate democrático. O problema surge quando a legitimidade de uma causa começa a ser utilizada para relativizar a apreciação dos métodos utilizados em seu nome. É precisamente aqui que a proposta representa uma rutura com um dos princípios fundamentais sobre os quais as democracias europeias construíram a sua resposta ao terrorismo.
Durante décadas existiu um consenso relativamente sólido. A legitimidade de uma reivindicação política nunca determinava a legitimidade dos meios utilizados para a concretizar. A ETA não deixava de ser terrorista por invocar a autodeterminação basca. O IRA não deixava de ser terrorista por defender a reunificação irlandesa. As Brigadas Vermelhas não deixavam de ser terroristas por proclamarem objetivos revolucionários. Da mesma forma, movimentos de extrema-direita........
