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(A)Ceuta que dói menos

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02.08.2026

Uma civilização não morre sempre por falta de força, mas pode ser moribunda por excesso de boas maneiras. Aconteceu em Ceuta, em Julho de 2026, no Estreito de Gibraltar. Mil e quinhentas almas em dez dias, atravessaram de madrugada, porque algum burocrata, algures, decidiu que a fronteira de um continente vale menos do que o lucro de uma rede de tráfico e o conforto de quem devia tê-la fechado há muito.

Os comunicados oficiais eufemizam o sucedido, apelindado-o de “emergência humanitária” com aquela linguagem abstracta que já nada descreve e que apenas protege o colarinho de quem a escreve. Uma fronteira que se abre porque a polícia deixou de a conseguir segurar já não corresponde ao seu propósito e passou a ser uma cortina trapalhona que caiu a meio do espectáculo. E o que ficou por dizer nessa noite não foi a queda em si, mas o alívio mal disfarçado com que certos gabinetes a receberam, transformando a impotência numa enganosa e ludibriante forma superior de virtude.

Dir-se-á isto sem rodeios: o que se vê em Ceuta é o preço de uma soberania dissolvida às colheradas, em comités, directivas e eufemismos; em que ninguém, em Bruxelas nem em Madrid, convenhamos, sabe ao certo onde começa e onde acaba aquilo a que ainda chamamos  de “nós”.

Morrer afogado pela inépcia alheia não tem nada de nobre; mas abrir os portões à última hora, sob pressão das câmaras,........

© Observador