Aproximar as novas gerações das Forças Armadas
Num tempo marcado por instabilidade, imprevisibilidade e crescente competição entre potências, a segurança deixou de ser uma abstração distante para voltar ao centro das preocupações europeias. A invasão russa da Ucrânia, iniciada em 2022, constitui o momento de rutura mais evidente desta nova realidade: uma guerra convencional em solo europeu, com impacto direto na arquitetura de segurança do continente e na perceção de ameaça por parte dos cidadãos.
Mais do que um conflito regional, esta guerra demonstrou que a paz na Europa não é irreversível. Revelou fragilidades, expôs dependências estratégicas e obrigou os Estados a repensar as suas capacidades militares, os seus compromissos no âmbito da NATO e o papel das Forças Armadas na defesa da soberania e dos valores democráticos.
Neste contexto, torna-se evidente que a segurança não se constrói apenas com equipamentos ou investimento financeiro. Constrói-se, sobretudo, com pessoas. E é aqui que surge um desafio estratégico fundamental: aproximar as novas gerações das Forças Armadas.
Vários países europeus têm vindo a reconhecer esta necessidade e a adotar medidas concretas para reforçar a ligação entre juventude e defesa. Em França, o Presidente Emmanuel Macron anunciou, em novembro de 2025, um novo serviço militar voluntário dirigido a jovens entre os 18 e os 19 anos, com duração de cerca de 10 meses, procurando reforçar o recrutamento e a coesão nacional. O programa, com início previsto para o verão de 2026 e cumprido exclusivamente em território nacional, arrancará com cerca de 3.000 voluntários remunerados, tendo como ambição atingir 10.000 em 2030 e até 50.000 em 2035.
Também na Bélgica, seguindo o exemplo dos Países Baixos, foi anunciada a criação de um serviço militar voluntário com o objetivo de aumentar significativamente o número de reservistas nos próximos anos. Em novembro de 2025, o Ministério da Defesa belga, liderado por Theo Francken, enviou........
