A caixa de prata
Levei para Nova Iorque, quando para lá parti para sempre, uma caixinha de prata com cinzas do meu pai. Não sabia bem o que fazer-lhes. Nunca a abri. Estava dentro de um saco de algodão também pequeno. Gostava de saber a caixinha em minha casa, num local onde não a visse todos os dias, e gostava pouco de a agarrar. Talvez um dia, pensava, quando tivesse coragem, pudesse conversar com a caixinha: e o meu pai ouvir-me através dela. Parecia-me bela a promessa da mulher que conversa com uma caixa de prata que não lhe responde, talvez sentada à mesa, contente, triste, ao longo de muitos anos.
Também pensei enterrar a caixa numa cova e plantar sobre ela uma árvore que pudesse dar-me sombra até eu ser velha, árvore que seria o pai do jardim, tivesse eu um jardim, que não tenho. A caixa enterrada seria o........
