O olho na esquina não nos torna mais seguros
Em Leiria, a autorização para 61 câmaras de videovigilância acaba de ser renovada por três anos, já com planos para estender a rede até perto da centena. Em Lisboa, do Cais do Sodré ao Bairro Alto, o número de lentes cresce a cada anoitecer. De norte a sul do país, assistimos ao mesmo processo silencioso: entre ajustes municipais, despachos no Diário da República e pareceres cautelosos da CNPD, as autarquias vão cravando postes e olhos eletrónicos nas esquinas. Habituámo-nos a ser filmados na rua como quem se habitua à troca de uma lâmpada. Não houve uma decisão coletiva sobre isto. Houve inércia.
O argumento político de venda é sempre o mesmo: as câmaras travam o crime. Vale a pena ver o que dizem os estudos, porque a resposta é mais interessante do que qualquer um dos lados costuma admitir.
A maior revisão de estudos feita até hoje, que junta quarenta anos de avaliações, conclui que a videovigilância reduz o crime, mas pouco, cerca de 13% quando comparado a zonas idênticas sem câmaras. E a média engana, porque quase todo o efeito vem de um sítio: parques de estacionamento. E de um tipo........
