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A TAP devia ser vendida, mas não assim e não agora

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18.06.2026

Começo por onde habitualmente se acaba, para que não restem dúvidas. Sou a favor da privatização da TAP. Sempre defendi, nestas páginas, que a soberania aérea de um país não se garante com o Estado a injectar milhares de milhões de euros numa companhia que não consegue gerir, e que o chamado complexo do dono, essa obsessão portuguesa com a propriedade em vez da eficiência, custou ao contribuinte muito mais do que qualquer estrangeiro alguma vez levou. Vender a TAP é a decisão certa.

O problema não é vender. O problema é como, e sobretudo quando. Porque Portugal está prestes a fazer a coisa certa da pior maneira possível, no pior momento possível.

Quem tem alternativas dita o preço

Há um princípio elementar em qualquer negociação: nunca se vende bem quando o comprador sabe que não precisa de comprar. E é exactamente nessa posição que Portugal se colocou.

A privatização está em fase decisiva. Air France-KLM e Lufthansa preparam propostas vinculativas por até 44,9% do capital, e o Governo já admitiu que, estando os planos industriais dos dois candidatos muito equilibrados, o critério de desempate será o preço. Acontece que a aviação europeia está a consolidar-se a uma velocidade sem precedentes, e isso muda tudo.

No Paris Air Forum deste ano, o presidente da Air France-KLM, um dos dois candidatos à TAP, resumiu a situação numa frase que devia preocupar qualquer português atento: existem três grandes grupos europeus e dois hubs na Península Ibérica, e um desses grupos vai ficar sem parceiro. Há mais compradores do que presas, mas cada comprador tem alternativas. E a Air France-KLM tem-nas, de facto. Está a concluir a aquisição do controlo da escandinava SAS, e o seu presidente admitiu........

© Observador