Exames Nacionais: fase de rescaldo
Sou defensor de que os exames nacionais continuam a ser um elemento de avaliação essencial porque avaliam todos os alunos da mesma forma, com base nos mesmos critérios, nas mesmas perguntas e com a mesma exigência. Nenhum outro instrumento garante esse mesmo grau de comparabilidade a nível nacional.
Este ano, o Governo avançou com uma reforma inédita neste processo de avaliação. E teve razão em fazê-lo.
Durante vários anos, os exames foram corrigidos em formato papel onde cada professor corrigia na íntegra cerca de 40 provas, ficando então responsável pela sua segurança. O novo modelo é estruturalmente diferente. As provas são digitalizadas e cada professor corrige cerca de 200 itens de resposta de alunos diferentes.
O novo modelo apresenta duas vantagens que me parecem pertinentes de salientar: em primeiro lugar, o mesmo critério é aplicado da forma consistente ao item de resposta, ao invés da leitura individual que cada professor faz de uma prova completa. Em segundo lugar, dá ao professor classificador uma maior liberdade no momento da correção do exame, sem estar preocupado com o transporte e segurança da prova física.
Todas as reformas, principalmente com esta dimensão (estamos a falar da correção de 300 mil exames nacionais, perto de 2 milhões de respostas) dificilmente acontecem sem sobressaltos, e seria ingénuo fingir que este processo correu sem eles.........
