O Declínio do dinheiro "fiat" das nações desenvolvidas
Os governos assumem que podem imprimir tanta moeda quanto quiserem e que ela será aceite à força. No entanto, a história das moedas fiduciárias (“fiat”) é sempre a mesma: primeiro os governos ultrapassam os seus limites de crédito, depois ignoram todos os sinais de alerta e, por fim, veem a moeda entrar em colapso.
Hoje, estamos vivemos em tempo real o declínio das moedas fiduciárias das economias desenvolvidas. O sistema global de reservas está lentamente, mas de forma decisiva, a diversificar-se, abandonando um padrão baseado puramente em moedas fiduciárias e movendo-se para um regime misto no qual o ouro desempenha o papel dominante.
Os dados do COFER do Fundo Monetário Internacional mostram que, embora o dólar dos EUA continue a dominar, o seu peso relativo nas reservas declaradas caiu para menos de 60%. O ouro ultrapassou o dólar e o euro como principal ativo nos bancos centrais, pela primeira vez em 40 anos.
Há um motivo para essa mudança histórica: as economias desenvolvidas ultrapassaram todos os seus limites de endividamento. A dívida pública é emissão de moeda e a credibilidade das nações desenvolvidas como emissoras está a desaparecer rapidamente. Começou quando o o Banco Central Europeu, a Reserva Federal e os principais bancos centrais globais divulgaram perdas significativas. A sua base de activos estava a gerar retornos negativos à medida que a inflação e problemas de solvência se tornavam evidentes.
A inflação é uma forma de incumprimento gradual de obrigações emitidas, e os bancos centrais globais estão a evitar a dívida dos países desenvolvidos porque detetam uma deterioração no panorama fiscal e inflacionário. A dívida soberana deixou de ser um activo-reserva.
A dívida pública global atingiu cerca de 102 triliões de dólares, um novo recorde histórico, bem acima dos níveis pré-pandemia e próximo dos picos registados durante o período de expansão monetária mais agressiva. A dívida soberana impulsionou este crescimento fenomenal, com países como França e os Estados........
