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Da arte de governar-se a si mesmo

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23.06.2026

Vivemos numa época em que a liberdade é pronunciada com fervor quase litúrgico, embora raramente seja vivida na inteireza do seu significado. Tornou-se palavra abundante nas tribunas e escassa na conduta dos homens. Todos a reclamam, mas poucos entendem o seu verdadeiro significado. Porque a liberdade não consiste apenas em escolher entre caminhos previamente traçados por outrem: a sua substância reside na faculdade de assumir as consequências da própria vida, sem entregar ao vizinho, ao especialista ou ao aparelho do Estado o cuidado da consciência e a administração da existência.

O homem livre, tal como o entendiam os antigos filósofos, governa-se antes de desejar governar o mundo, reconhecendo que o primeiro domínio digno desse nome é o domínio de si mesmo. Não entrega por comodidade aquilo que deveria guardar por honra: o juízo, a responsabilidade, o sustento da casa, a educação dos filhos, a ordem da própria mesa. O homem livre é aquele que age segundo a razão e responde pelas escolhas que faz, porque nenhuma civilização alcança verdadeira grandeza quando os seus membros esperam incessantemente que a salvação venha do exterior, seja da política, da opinião pública ou da vasta engrenagem anónima das instituições.

É neste horizonte que a crescente intrusão do Estado nas dimensões mais........

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