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Segurança nacional, emergências e a descoordenação habitual

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07.02.2026

A tempestade Kristin terá feito voar ilusões? Não estou certo disso, embora tenha destruído demasiadas casas e empresas, e causado vítimas mortais. As ilusões persistem porque servem de pretexto para evitar ações custosas e reconhecer factos politicamente inconvenientes.

Desde logo, temos as ilusões dos que na direita mais extremada recusam ver os perigos da crise climática e a necessidade de lhe dar resposta, preferem combater factos com insultos. São os que insistem que, afinal não era suposto ser mais calor, e tempestades sempre existiram. Como se o perigo previsto pelos especialistas não fosse a disrupção dos padrões climáticos habituais, com base nos quais construímos casas, fábricas, linhas de alta tensão, e o número e intensidade crescente de secas, cheias, furacões, etc. Na década de 1980, os danos financeiros anuais provocados por eventos climáticos extremos na Europa apenas por duas vezes excederam os 10 mil milhões de euros, e desde 2021 têm oscilado entre os 40 mil milhões e os 65 mil milhões.

Há erros acumulados, há responsabilidades partilhadas. Construiu-se de qualquer maneira, muitas vezes em leito de cheia, inclusive sem licença. O país era muito mais pobre quando vivemos uma grande crise de habituação nas décadas de 1970 e 1980, consequência de um êxodo rural massivo do interior para a zona costeira, onde faltavam casas. Houve muitas opções questionáveis, mais ainda à luz dos riscos ambientais atuais. Apesar dos erros, muita coisa se fez, e é fácil imaginar o que aconteceria, hoje, se Lisboa continuasse rodeada de bairros de barracas.

O negacionismo ideológico não é apenas de um dos lados. Uns negam o problema, os outros arrenegam as soluções. Durante demasiado tempo, a esquerda radical ecologista viu em qualquer discussão sobre investir na adaptação às mudanças climáticas uma traição à missão exclusiva de reduzir emissões. Ora, é evidente que temos de construir melhor, temos de repensar as nossas infraestruturas críticas, temos de aumentar a tão falada resiliência. Não podemos estar cada vez mais dependentes da rede elétrica sem ter uma maior capacidade de resposta a apagões, com geradores e outros meios que rapidamente se definam e se comecem a implementar. Se o sistema de comunicações de emergência, o malfadado SIRESP, repetidamente não funciona em emergências, há que procurar alternativas e........

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