Revisão antes de férias
As guerras prolongam-se mais do que deviam
A vida não é um filme de Hollywood. Muitos deixaram de acreditar em Deus, mas nem por isso deixaram de acreditar em milagres e esperar ansiosamente pelo messias todos os dias. Especialmente na política internacional, onde se multiplicam atores com percursos, preferências, interesses, valores muito diferentes, é difícil chegar a compromissos, quanto mais a soluções ideais. Se entrarmos no campo dos conflitos armados, das guerras, esta regra ainda é mais pertinente. Como dizem os ingleses – especialmente num bar – muitas vezes a opção é “pick your poison!” Trata-se de saber qual o veneno, qual o mal menor que queremos escolher.
Um dos dados fundamentais na análise das guerras nas últimas décadas é a tendência para o seu número ir aumentando: 2024 e 2025 foram mesmo anos recorde em número de guerras desde 1945. Uma das razões é a tendência para os conflitos armados irregulares e assimétricos se prolongarem – em média duram 5 anos – e serem muito difíceis de resolver definitivamente e, portanto, se irem acumulando. No caso das guerras atualmente em curso com mais impacto global – no Irão e na Ucrânia – apesar dos enormes custos (ou até por causa deles) e dos retornos limitados para os beligerantes, não se vislumbram soluções boas, fáceis ou rápidas, sejam diplomáticas ou militares. Isso não significa que não se possa avançar para um cessar-fogo mais ou menos frágil. Significa que parece muito difícil alcançar uma paz ampla que resolva, de forma durável e aceitável para os beligerantes, as enormes divergências entre eles.
As reformas são........
