Portugal merece muito mais que o mal menor
Cessava a cavalgada dos debates entre candidatos, seguia-se uma campanha aborrecida, até que as tragédias da tempestade Kristin dominaram as atenções mediáticas. E António José Seguro ganhou com expressiva maioria.
Nenhum outro cenário parecia democraticamente concebível.
De um lado, André Ventura prometia refundar a Terceira República, e governar a partir de Belém.
Do outro, António José Seguro prometia preservar o regime, e ser um Presidente da República bom.
De facto, Seguro não só apresentava inequívocas credenciais democráticas, como sempre foi um homem da “estabilidade” – nos tempos de ministro de Sócrates, depois como secretário-geral do PS, agora como candidato.
Adepto de consensos, avesso a conflitos. Ambíguo quanto à sua lealdade ao partido, ou à esquerda. De tal forma que nem o PS o queria então, nem queria agora.
Quando Seguro passou à segunda volta, logo caíram por terra todas as acusações de colaboracionismo com as forças da reacção.
Em coro, numerosas forças vivas da sociedade política, antes cépticas, proclamaram o seu apoio, imediatamente lançando anátemas a todo o renitente.
Protestavam que a vitória de Seguro era necessária para o triunfo da democracia sobre a autocracia.
Também, é verdade, constituiria o regresso do socialismo ao seu lugar cimeiro no poder político português. E uma vitória eleitoral a toda a linha do PS. E o relançamento das suas ambições governativas.
Portanto, os adversários de Seguro, se não fossem traidores à democracia, deveriam entregar-se a todo um espírito de abnegação ideológica e partidária.
E deveriam ritualmente declarar o seu apoio a Seguro, subservientemente deixar a campanha e a instalação em Belém para os verdadeiros apoiantes, responsavelmente arcar com as dificuldades que o novo Presidente viesse a levantar ao Governo.
Ora, este Governo não precisa de mais razões para não reformar. Portugal precisa mesmo de mudar.
As pessoas e famílias passam dificuldades, a economia sofre soterrada em impostos e burocracia, o Estado Social falha a quem dele depende, as instituições fragilizam-se.
E todos sabemos que Portugal poderia ser muito mais.
Para isso, Portugal precisa de se libertar de um status quo que não faz nem deixa fazer.
Mas........
