Ainda estou a aprender a viver com dor crónica
Falo-vos do único lugar que permanece intacto em mim: o coração.
Tive uma vida recheada de desafios. Treinei compaixão e força de vontade, resignifiquei resiliência como capa do amor. Ainda assim fui apanhada desprevenida.
A dor veio sorrateira, instalou-se de mansinho, foi ganhando espaço, até que um dia percebi que já não conseguia permanecer sentada por longos períodos. Fiquei atenta: a roupa em contacto com a pele das pernas provocava dor, quanto mais áspero o toque maior a dor, maior a sensação de queimação. Daí a deixar de conseguir dormir de noite foi um passo. Seguiram-se noites intermináveis com sensação de ter a pele queimada, com inúmeras idas ao chuveiro para colocar água fria no corpo; tentei sprays de água termal, cremes com efeito frio, vários tipos de lençóis. Algumas noites cheguei a ter sonhos vividos, nos quais era queimada viva numa fogueira, qual bruxa da idade média.
Costumo dizer que estive no inferno, de caras com o Diabo, o próprio. De dia ia trabalhar mas sempre em desconforto, sempre a tentar arranjar alternativas menos dolorosas: a roupa, a cadeira, a almofada, a posição. Passei a fazer consultas de pé numa mesa de........
