Da tempestade ao “estrutural”: Portugal adia sempre decisões
Em Portugal há uma palavra que resolve quase tudo.
Ou, mais precisamente, que adianta tudo.
Essa palavra é estrutural.
Quando o regresso às aulas corre mal, é estrutural.
Quando as urgências do SNS colapsam, é estrutural.
Quando faltam médicos de família, é estrutural.
Quando o aeroporto não funciona, mas também não se decide, é estrutural.
Quando uma tempestade deixa centenas de milhares de pessoas sem eletricidade, é estrutural.
Não se trata de negar a complexidade dos problemas. Trata-se de perceber quando a palavra deixa de ser diagnóstico e passa a ser substituto da decisão.
Na prática, “estrutural” passou a significar isto:
o problema é antigo,
a solução é difícil,
logo, ninguém decide agora.
Foi exatamente esse o tom dominante após a passagem da tempestade Kristin, que atingiu Portugal entre 27 e 29 de janeiro de 2026, com especial impacto em várias regiões do Norte e do Centro do país. Ventos extremos, comunicações interrompidas, infraestruturas paralisadas, milhares de ocorrências e vítimas mortais. Um fenómeno violento, rapidamente explicado como excecional, imprevisível e, claro, estrutural.
Convém esclarecer: Lisboa não foi o epicentro da tempestade.
Mas Lisboa é o melhor lugar para........
