Os elefantes comem-se às fatias
Durante anos, a “Reforma do Estado” foi um daqueles conceitos confortáveis que toda a gente invocava e quase ninguém concretizava. Falava-se muito, mudava-se pouco. Grandes chavões, planos ambiciosos, apresentações solenes, e depois tudo regressava à normalidade: um Estado pesado, lento, desconfiado dos cidadãos e hostil às empresas. A diferença do ciclo atual está precisamente aqui: menos conversa redonda, mais decisões que mexem na orgânica do Estado e na vida real das pessoas e das empresas.
A reforma que está em curso com o Governo da AD, encabeçada pelo Ministro Gonçalo Matias, não tenta engolir o elefante de uma só vez. Faz o que as reformas sérias fazem: “come-o às fatias”.
A primeira dessas fatias é estrutural. Desde junho de 2025, três ministérios – Educação, Trabalho e Segurança Social, Ambiente e Energia – já foram profundamente reestruturados, eliminando sobreposições, fundindo entidades e reduzindo centenas de cargos dirigentes. Por exemplo, no Ministério da Educação, Ciência e Inovação, passaram-se de 18 para 8 estruturas; no Trabalho e Segurança Social, de 40 para 20. Na Educação, o resultado não foi apenas organizacional: centenas de professores, 257 para ser exato, deixaram tarefas administrativas e regressaram às escolas. Reformar o Estado também é isto, libertar recursos para onde fazem falta. Este processo de reforma e reestruturação não se esgota aqui e,........
