A subtil diferença entre voltar ao mesmo e ser eterno
Ver de novo notícias da Lua nos telejornais sabe à certeza que faltava: algures, a História bateu no tecto e voltou para trás. Começámos a repetir os anos 80, 70, 60 – e receamos não saber como saltar fora antes de cairmos no abismo dos 40. Todavia, um paradoxo qualquer na missão da Artémis II torna tudo um pouco mais complexo.
Mais de 50 anos depois, o ser humano volta à Lua. Mas, desta vez, não há canções de David Bowie nem filmes de Kubrick – já nada nos impressiona. Que importa se aqueles nossos quatro companheiros de planeta atingiram o ponto mais distante no Espaço a que a Humanidade alguma vez chegou, a coisa de 407 mil quilómetros para além? Que só 24 pessoas tivessem feito antes a viagem e apenas 12 descido e pisado, efectivamente, solo lunar? Que tenham sido os primeiros a contemplar, a olho nu, a mítica face oculta da Lua? A parte que ainda nos aflige é, sintomaticamente, a notícia de que terão estado 40 minutos sem comunicações. 40 longos minutos às escuras, atrás da Lua, sem sinal da Terra nem Whatsapp. Dizemos uau e fazemos scroll para o post seguinte.
É verdade. Faltou à odisseia espacial de 2026 o momento culminante, climático, da alunagem. Ainda não é esta a tripulação que tem a honra de descer da nave e declamar qualquer coisa para a História (essa missão deve estar guardada para Jeff Bezos ou Elon Musk, no dia em que a tecnologia lhes garanta o conforto de que precisam para terem a coragem de tratar do assunto). Reid........
