O algoritmo não vai a tribunal
A ascensão da inteligência artificial trouxe consigo uma promessa sedutora: decisões mais rápidas, mais eficientes e, em muitos casos, mais “objetivas” do que as humanas. No entanto, essa promessa começa a revelar uma fragilidade estrutural que raramente é discutida com a seriedade necessária: quando a inteligência artificial erra, quem assume a responsabilidade?
A resposta mais honesta é também a mais desconfortável. Não é a máquina. Nunca será.
A inteligência artificial não tem consciência, intenção ou responsabilidade moral. Não pode ser julgada, sancionada ou chamada a responder por decisões erradas. E, no entanto, assistimos a uma crescente tendência para tratar os seus resultados como se fossem neutros, inevitáveis ou até incontestáveis. É aqui que começa o problema.
Vivemos um momento em que decisões críticas estão a ser delegadas a sistemas automatizados. Desde a concessão de crédito até ao diagnóstico médico, passando por processos de recrutamento ou análise........
