Chegou o terramoto do desemprego da IA
Em fevereiro, numa entrevista ao programa Dúvidas Públicas, da Renascença, perguntaram-me qual seria a ordem de grandeza da destruição de emprego provocada pela IA. Respondi sem rodeios: “Diria que será aí do dobro, pelo menos.” Por cada posto de trabalho novo – engenheiro de prompts, engenheiro de dados, engenheiro de IA – perderíamos dois. E acrescentei que ainda não estávamos preparados para as baixas que aí vinham.
Na altura, a frase soou a exagero de académico. Hoje, soa a boletim sismológico.
A Critical Software, fundada em Coimbra em 1998 e fornecedora de software para aviões, comboios e missões espaciais, vai terminar 2026 com cerca de 1.300 colaboradores. Começou o ano com cerca de 1.500. São menos 200 pessoas, 13% do quadro. O motivo foi assumido pelo próprio presidente executivo, João Carreira, ao Expresso: com a evolução da IA, há funções que deixam de fazer sentido. As mais repetitivas, de programação e de teste, são – nas palavras dele – muito facilmente substituídas pela máquina.
O que torna este caso tão significativo não é o número. É quem o protagoniza. A Critical não é uma empresa aflita a cortar custos para sobreviver. É, há quase três décadas, a prova viva de que Portugal sabe fazer tecnologia de ponta. Está a investir cerca de oito milhões de euros em IA. Inaugurou esta semana um........
