Sexta-feira 13, Carnaval e o Universo Liberal: liberdade ou armadilha?
Hoje é sexta-feira 13. E ainda é Carnaval. Uma combinação curiosa: superstição e desejo, fantasia e verdade, medo e curiosidade dançando lado a lado. O Carnaval sempre foi esse território simbólico onde as máscaras caem… ou onde escolhemos usar outras. E talvez seja justamente nesse clima de permissões que valha a pena falar de um tema que ainda provoca olhares atravessados e julgamentos rápidos: o universo liberal.
Recentemente, em uma conversa longa e sincera com uma seguidora que me acompanha há muitos anos — e que hoje também considero uma amiga — entramos nesse assunto com maturidade. Não foi uma conversa de curiosidade superficial. Foi um diálogo honesto sobre desejo, vínculo e liberdade dentro do relacionamento.
Ela me contou que, junto com o parceiro, decidiu conhecer esse meio por curiosidade. E aqui já começo desfazendo um mito importante: eles nunca tiveram interações íntimas com outros casais. Não houve trocas físicas. Não houve experiências extremas. Eles apenas estiveram presentes em ambientes liberais. Observaram. Conversaram. Sentiram o clima. E foram embora juntos.
E isso, para eles, fortaleceu o relacionamento.
O simples fato de poder falar abertamente sobre fantasias, admitir curiosidades sem medo de julgamento, observar outros corpos sem culpa e sem aquele ciúme que corrói por dentro trouxe mais verdade para os dois. Não foi sobre fazer algo com alguém. Foi sobre não precisar esconder nada um do outro.
É importante dizer isso com clareza: o universo liberal não é sinônimo de promiscuidade, sexo desenfreado ou “liberar o parceiro”. Muitas vezes, casais vão juntos e não fazem absolutamente nada além de estar presentes. Observam. Se percebem. Conversam depois. E, para alguns, isso já é suficiente para ampliar o diálogo e fortalecer o vínculo.
Atendo diariamente casais no meu espaço terapêutico, e esse tema aparece com frequência. E como em praticamente todas as minhas colunas, volto ao ponto central: comunicação é essencial.
O que observo, no entanto, é que muitos casais entram nesse caminho de maneira desalinhada. Às vezes o parceiro quer visitar uma casa de swing e a mulher vai apenas para agradá-lo. Em outros casos, o desejo parte dela, e ele interpreta como ameaça, como se ela estivesse buscando outro homem para substituí-lo. A falta de clareza transforma curiosidade em conflito.
Mas a pergunta permanece: esse caminho fortalece ou destrói?
Confesso que eu mesma já me aventurei por esse universo. Fui movida por curiosidade e pela vontade de compreender o que tantos casais buscavam ali. O que senti foi uma mistura intensa de tesão e ansiedade. Curiosidade caminhando lado a lado com autojulgamento. O corpo às vezes travava. A mente encontrava justificativas para me diminuir. Eu me comparava. Me sentia fora do padrão.
Em um ambiente de tantas liberdades, me peguei julgando meu corpo por não estar “em forma”, por não ter o padrão de blogueira, por não ter silicone. E, a partir desse julgamento interno, meu corpo começou a fugir. A travar. Entrei num ciclo silencioso de não me achar suficiente.
Foi ali que compreendi algo muito importante: liberdade externa não resolve insegurança interna.
Eu não permaneci naquele universo. Mas algo muito bonito aconteceu nesse processo. Meu parceiro me trouxe segurança. Ele não ultrapassou limites. Não avançou nenhum sinal. Perguntava o que eu estava sentindo. Validava minhas emoções. Usava palavras de afirmação, que são uma das minhas linguagens de amor. E essa segurança emocional fez algo inesperado acontecer: eu o amei ainda mais. Eu o desejei ainda mais. Nosso vínculo se fortaleceu.
Por outro lado, já acompanhei casais que entraram nesse universo sem acordos claros, sem comunicação verdadeira, sem falar sobre sentimentos e limites. O resultado foi doloroso. Alguém saiu machucado. Alguém se sentiu desrespeitado. Quando isso acontece, é como uma ferida aberta. A confiança se rompe. O desejo se retrai. O corpo se fecha.
Sem acordos conscientes e respeito aos próprios limites, nenhum relacionamento se sustenta. E não falo de regras impostas para agradar o outro. Falo de maturidade emocional. Falo da capacidade de dizer “isso me machuca” ou “isso não é para mim” sem medo de abandono.
Às vezes, quem vai por obrigação sente o corpo travar. Feridas emocionais de abandono, rejeição ou traição podem ser ativadas. A desconfiança cresce. O medo toma conta. E o tesão simplesmente desaparece.
O universo liberal não é vilão nem solução mágica. Ele é apenas um contexto. Ele amplia o que já existe na relação. Se há segurança, fortalece. Se há insegurança, expõe. Se há diálogo, amadurece. Se há silêncio, fere.
Depois de um ano observando, entendendo e vivenciando situações agradáveis e outras nem tanto, decidi abrir uma consultoria presencial para casais que desejam conhecer esse universo com mais consciência, segurança e acordos claros. Um espaço para conversar antes de qualquer passo. Para alinhar expectativas. Para identificar limites. Para fortalecer o vínculo antes de expandi-lo.
Porque liberdade não é fazer tudo. Liberdade é poder escolher com verdade.
Há casais que encontram nesse caminho uma expansão genuína. Há outros que descobrem que não é para eles. E está tudo bem. O problema não está na escolha. Está na falta de diálogo. Na pressão para parecer moderno. Na tentativa de salvar uma relação que já está distante.
Carnaval nos convida a tirar máscaras. Sexta-feira 13 nos lembra dos medos que carregamos.
Talvez a reflexão perfeita para hoje seja esta: qual é a sua motivação quando você fala de liberdade? É desejo genuíno? É curiosidade? É medo de perder o parceiro? É tentativa de preencher uma lacuna que ainda não foi conversada?
Se você deseja saber mais sobre essa consultoria ou conversar sobre esse tema com maturidade e acolhimento, me chama no Instagram @prazer_tami.
E eu deixo você com essa pergunta final: você quer liberdade para se expandir… ou está buscando liberdade para fugir de algo que ainda precisa ser dito?
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