Quando o corpo quer sentir, mas o medo de se permitir é ainda maior
Há algumas semanas contei aqui que muitas pessoas chegam até mim acreditando que o problema é a falta de prazer. Depois de tantos anos trabalhando com sexualidade somática, posso dizer que, na maioria das vezes, o problema nunca foi o prazer.
O que falta é segurança.
O prazer só floresce quando o corpo entende que não existe perigo.
Hoje quero contar a história da Isabela, nome fictício de uma paciente que iniciou comigo um processo de desenvolvimento da sexualidade.
Isabela é uma mulher bonita, inteligente, cuida da saúde, trabalha, estuda, mas basta observá-la por alguns minutos para perceber que existe uma enorme distância entre a mulher que ela é e a mulher que acredita ser.
Na nossa primeira sessão seguimos para uma prática de massagem tântrica e, poucos minutos depois do início, senti o corpo dela retrair completamente. A respiração ficou curta, os músculos endureceram e aquele corpo, que dizia querer sentir prazer, parecia implorar para fugir dali.
Na terapia não existe nada para provar. Existe apenas um corpo mostrando o que consegue viver naquele momento.
Passei alguns exercícios para que ela fizesse em casa e marcamos um novo encontro.
Alguns dias depois, ela me enviou uma mensagem dizendo que não conseguiria comparecer. O corpo havia entrado novamente em um estado de ansiedade e ela preferiu remarcar.
Ao invés de insistirmos na sessão presencial, marcamos uma reunião online para entender melhor o que estava acontecendo.
Durante a nossa conversa, perguntei onde aquela vergonha morava dentro dela.
Ela fechou os olhos por alguns instantes e respondeu:
"É como se eu entrasse em um quarto escuro........
