Couraças musculares e o prazer de viver a vida
Talvez seja a primeira vez que você esteja se deparando com o termo “couraças musculares” e esteja se perguntando que diacho é isso, certo? Pois bem, deixa eu te contar uma coisa sobre o nosso corpo que talvez faça você olhar para a sua própria história de uma maneira diferente. Ao longo da vida, aprendemos a nos proteger de situações que nos causam medo, vergonha, tristeza, rejeição ou sofrimento. E, muitas vezes, essas experiências não influenciam apenas nossas lembranças, mas também a maneira como respiramos, nos movimentamos, nos relacionamos e até a liberdade que sentimos para expressar nossos desejos. Na psicoterapia corporal, especialmente nos estudos de Wilhelm Reich, esses padrões de defesa receberam o nome de couraças musculares. São tensões e modos habituais de contenção corporal associados às nossas formas de proteção emocional. O curioso é que algumas dessas defesas continuam presentes mesmo quando aquilo que nos ameaçava já não existe. E aquilo que um dia nos ajudou a sobreviver pode, anos depois, dificultar nossa capacidade de viver plenamente, inclusive de sentir prazer.
Mas como isso acontece? Imagine uma criança que cresceu ouvindo frases como “você quer demais”, “não pode querer tudo”, “deixa de ser egoísta” ou “quem você pensa que é para querer isso?”. Talvez ela tenha desejado um brinquedo, pedido atenção ou simplesmente expressado uma vontade e recebido uma resposta carregada de irritação ou humilhação. Quando essas experiências se repetem, especialmente dentro das relações familiares, a criança pode começar a associar o próprio desejo à possibilidade de ser rejeitada. Aos poucos, aprende que querer incomoda, pedir é perigoso e demonstrar vontade pode trazer sofrimento. Então começa a se adaptar, deixa de pedir, evita contrariar e se torna aquela criança que todo mundo elogia porque “não dá trabalho”. Só que essa criança cresce e talvez se transforme em uma mulher adulta que tem dificuldade de dizer o que deseja, aceita relacionamentos nos quais recebe muito menos do que gostaria, sente culpa ao comprar alguma coisa para si ou precisa justificar até os pequenos prazeres da vida. Quando alguém pergunta “o que você quer?”, ela responde “tanto faz”. Não porque realmente tanto faça, mas porque passou tantos anos tentando não desejar que já não sabe reconhecer a........
