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A exploração da escala 6x1 vai acabar

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24.02.2026

É no mínimo gratificante acompanhar a sociedade debater um tema do qual antes a gente falava como voz isolada. É o que acontece agora com a proposta do fim da escala baseada em seis dias trabalhados e apenas um de descanso. Desde que o presidente Lula anunciou que esta seria a prioridade do governo e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, acelerou a tramitação da minha Proposta de Emenda à Constituição 221/2019, o assunto entrou na boca do povo.

Essa percepção fica mais evidente quando ando pelas ruas nas diversas cidades que visitei recentemente. Junto com a quase unanimidade de apoio ao projeto, ouço histórias de sofrimento e abnegação daqueles que são obrigados a se dedicar ao trabalho quase a semana inteira e ter o tempo livre apenas por um dia.

Geralmente, são mães que podem estar com os filhos só no domingo e, mesmo assim, é o único momento que têm para arrumar a casa, lavar a roupa, fazer comida. Ou seja, não é dia de descanso, mas para exercer outra forma de ocupação. A exploração não para por aí; os relatos contam também das horas dedicadas ao deslocamento para o trabalho dentro de ônibus lotados em um trânsito caótico. São histórias de um povo trabalhador, dedicado, explorado, mas que segue lutando para sustentar a família.

Gostaria muito que o pesquisador Daniel Duque, do FGV Ibre, ouvisse alguns desses testemunhos. Talvez ele não tivesse o desplante de publicar um estudo com manipulações econométricas para dizer que o brasileiro trabalha pouco. E o jornal “Folha de S.Paulo” não usasse em reportagem essa aberração como forma de combater a campanha pelo fim da escala 6x1.

O texto utiliza de eufemismo para chamar o nosso povo de “preguiçoso”, em frases como esta: “O desvio brasileiro é uma questão cultural, uma preferência por maior quantidade de lazer”. No futuro, quando forem analisar nosso tempo histórico, matérias como essa serão usadas para ilustrar o mesmo preconceito de uma elite que foi contra a abolição do trabalho escravo.

Tanto o citado estudo como as notas publicadas por algumas entidades patronais contra a redução de jornada não passam de atos de desespero. Vão na contramão de um movimento que toma conta do Brasil inteiro e que clama por dois dias livres, ou mais, para o trabalhador, acabando com esse resquício da escravidão.

Ao invés de resistir e entrar para história como os novos escravocratas, eles deveriam seguir a exemplar atitude tomada por algumas empresas, que se antecipam à aprovação da nova legislação e já estão reduzindo a jornada de seus funcionários. Na semana passada, o Supernosso, grande rede mineira de supermercados, anunciou a implementação da medida para o próximo mês em três das suas unidades, prevendo a ampliação para as outras o novo modelo de trabalho ainda este ano.

Outras empresas decidiram se antecipar e atender à demanda de trabalhadores. Há exemplos de rede de farmácias, lojas de departamentos, outros supermercados, etc. que concederam um dia a mais de folga por semana a seus empregados, adotando a escala 5×2. Em pouco tempo, elas vão comprovar o que outras que já praticam uma jornada menor sabem: há um aumento na produtividade, já que o trabalhador descansado produz mais, enquanto a escala excessiva atual contribui para adoecimento, alta rotatividade e queda de eficiência.

O impacto no mercado de trabalho também será positivo. Ao contrário do que dizem, que o fim da escala 6x1 vai causar desemprego, haverá um aumento do trabalho formal, já que o atual modelo afugenta aqueles que não suportam tamanha exploração e preferem seguir na informalidade. Essa migração vai ajudar no equilíbrio previdenciário, já que a contribuição dos novos formalizados vai reduzir o déficit atual. São muitos os benefícios trazidos por esse avanço civilizatório. Não só para o trabalhador hoje explorado, mas para toda a nossa economia.

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