menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Geografia das desigualdades

24 0
27.03.2026

O Brasil costuma se imaginar como uma unidade coesa. A realidade, contudo, é mais matizada. Um país de dimensões continentais, com mais de 200 milhões de habitantes, marcado por diferentes processos de ocupação – dos imigrantes europeus aos escravizados africanos – e por uma geografia diversa, carrega desigualdades profundas, que atravessam o tempo com notável resiliência.

A formação econômica ajuda a iluminar esse percurso. Os ciclos de expansão – do café à industrialização por substituição de importações – concentraram dinamismo no Sudeste e no Sul. A interiorização impulsionada por JK, com a construção de Brasília, abriu novas possibilidades de integração, mas não alterou de forma substantiva o padrão de concentração. Ao mesmo tempo, o viés primário-exportador, hoje sob a rubrica das commodities, manteve-se como fio condutor.

Nas últimas três décadas, a integração ganharia fôlego novo. O Brasil do pós-Plano Real foi redesenhado pela expansão do agronegócio e da mineração. A fronteira produtiva avançou pelo Centro-Oeste e pelo Matopiba, alcançando áreas antes periféricas. Cidades médias passaram a desempenhar papel mais relevante, atraindo populações, criando mercados consumidores regionais e estimulando a descentralização das atividades de serviços. Enfim, sugerindo desconcentração do crescimento. Ainda assim, os sinais de reequilíbrio estrutural permanecem limitados.

Os dados são eloquentes. Entre 1995 e 2025, o PIB mais do que dobrou. Regiões historicamente menos dinâmicas avançaram em ritmo superior ao do Sudeste, que, embora ainda central, perdeu participação relativa. À primeira vista, trata-se de um movimento de convergência. Observado com mais atenção, revela antes um processo gradual, sem ruptura.

Do ponto de vista da distribuição do PIB por região, houve queda da participação relativa do Sudeste (-6,38%), que correspondeu ao aumento da participação relativa das outras regiões, lideradas pelo Centro-Oeste (2,82%), seguida pelo Nordeste (1,8%).

A desconcentração, portanto, ocorre, mas em intensidade moderada. São Paulo segue como principal polo econômico, enquanto os ganhos das demais regiões, embora consistentes, ainda não reconfigurem o quadro geral. O país se move, mas o faz dentro de limites relativamente estreitos.

Talvez resida aí o ponto central: nem todo deslocamento implica transformação. A expansão da fronteira agrícola – iniciada décadas atrás e potencializada por avanços tecnológicos – ampliou o mapa do crescimento, mas não redesenhou, em profundidade, a geografia das desigualdades. Sem uma inflexão mais clara na estratégia de desenvolvimento regional, o ajuste tende a ser incremental.

No fim, permanece uma impressão discreta, mas persistente: o Brasil avança, ainda que conserve, em larga medida, suas linhas de força. Algo muda – mas não o suficiente para alterar o essencial. Até então, continua tudo como antes, no quartel de Abrantes.

FUNCIONALISMO Acordo incluiu benefícios para ASBs da Educação e servidores da Segurança no projeto de reajuste

IMBRÓGLIO Reginaldo Lopes crê em candidatura de Pacheco ao governo de Minas: ‘à altura da liturgia do cargo’ 

CPMI DO INSS Evento da polícia penal na batista da Lagoinha vira alvo da oposição e acaba no Ministério Público

Mateus Simões comemora reajuste de servidores acima da inflação

Acordo garante benefícios para servidores da Educação e Segurança

Política em Minas e no Brasil - Brasília, Congresso, ALMG, Câmara de BH e os bastidores

Simões inclui ‘jabuti’ em projeto de reajustes e muda estrutura

Assembleia acelera reajuste dos servidores de Minas Gerais


© O Tempo