Patinetes, de novo?
Mesmo após a experiência malograda de 2020, as patinetes elétricas voltaram. Para um amigo gozador, é mais um sintoma da infantilização dos adultos. Segundo ele, os homens começaram vestindo calças curtas; as bermudas. Depois, bonezinhos. E agora, patinetes. E completa: “em breve, estarão usando chupetas e fraldas com a ajuda de aplicativos”, debochou.
Legal se fosse tudo só piada. Bastante diferentes daquelas inofensivas do passado, a geringonça modernosa já trouxe problemas antes. Seu peso, somado ao do condutor e o fato de circularem nas calçadas monta a equação perfeita do risco constante.
Guardo uma lembrança particular para antipatizar-me com elas. Em 2020, uma vizinha – senhora cinquentona – foi arremessada longe por uma patinete logo ao sair de casa. Ela abriu o portão do prédio, deu um passo à frente na calçada e – bum! – foi pega por uma, pilotada por um garoto em disparada bem rente às casas, portões e portarias que dão para a rua. O irresponsável também caiu, mas levantou-se, sequer olhou para trás e sumiu de vista quarteirão abaixo. Nossa vizinha ganhou três pontos no tornozelo, roxos por todo o corpo e ainda perdeu o dia de trabalho.
Nos EUA, onde foi lançada, a patinete também continua polêmica. Durante os últimos meses duas centenas de pessoas foram levadas às emergências dos hospitais de um só estado americano por conta de fraturas, contusões, lesões na cabeça com hemorragias. A maioria não usa capacete; pais com crianças rodam na mesma patinete e andam sempre nas calçadas, como acontece aqui. No Brasil, a resolução do Contran que regula o uso das patinetes determina velocidade máxima de 20km/h em ciclovias de até 6km/h em calçadas. Que piada: quem cumpre leis nesse país?
Se o usuário cai ou se estrepa num buraco, tem seguro. Porém, se atropela uma pessoa, fica por isso mesmo. Ora: a calçada foi, é, e sempre será o espaço reservado aos que andam a pé, um território sagrado. No último fim de semana presenciei vários “quase-acidentes”. Eu mesmo escapei de uma dessas tresloucadas, pilotada por uma jovem usando fones de ouvido e alheia ao mundo, sábado passado, na Praça da Liberdade.
Ah! Você foi atropelado? Desista; não pode fazer nada porque o condutor da patinete é anônimo e inábil. Pelo menos, tem uma placa? Que nada: meteram uma numeração minúscula, quase invisível na traseira, talvez apenas para controle dos proprietários.Impossível não pensar na tenebrosa e incorrigível realidade nacional: o trânsito infernal já desrespeitado diariamente pelos trogloditas do volante; avanços de sinais vermelhos, bêbados guiando, gentileza zero, violência, motoqueiros malucos matando gente nas faixas de pedestres. As autoridades insistem em “campanhas educativas” totalmente cosméticas – em vez da aplicação rigorosa das leis para infratores, costumeiros deseducados e potenciais criminosos.
Enfim: soltaram novamente os brinquedinhos numa cidade imunda, descuidada, feia, esburacada; cidade que suplica por obras, medidas e soluções muito mais sérias, urgentes e necessárias. Retornam os riscos para deficientes auditivos e visuais; cadeirantes, idosos, crianças no passeio. De volta, o raciocínio deplorável dos burocratas municipais, o mesmo do Carnaval – dane-se o contribuinte e acaricia-se grupelhos porque as patinetes devem gerar algum tipo de imposto e sugerir “modernidade”. Essa gente incompetente continua desprezando o essencial e impingindo-nos os supérfluos.
Defensores alegam que “cada patinete na rua é um automóvel a menos”. Que nada: de fato, são meros brinquedinhos alugados por adolescentes; meninada que se diverte para um pulinho no shopping ou uma voltinha alegre no quarteirão. Espero que essa safra perniciosa de patinetes dure pouco como a anterior. Pelas queixas que já li e ouvi, será só uma questão de tempo.
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