STOP À VIOLÊNCIA – é altura de dizer Basta
Há momentos em que o futebol deixa de poder fingir que não vê. A proposta de 84 alterações ao Regulamento Disciplinar da Federação Portuguesa de Futebol nasce precisamente dessa urgência e, desta vez, não se ficou pelas intenções.
Em pouco mais de um mês, a FPF apresentou uma resposta robusta, articulada e ambiciosa, num sinal claro de liderança e responsabilidade, com o respaldo do Governo, da Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto, do movimento associativo distrital e dos seus sócios de classe. O plano estrutura-se em seis eixos prioritários: defesa da arbitragem; relações institucionais entre dirigentes; combate à violência e pirotecnia; comportamentos discriminatórios; assédio sexual e moral; e cumprimento das obrigações salariais. Mais do que um elenco técnico, é uma mudança de paradigma.
As sanções agravam-se de forma significativa, até 158%, e passam a incluir medidas com impacto direto na verdade desportiva, como a perda de pontos ou mesmo a desclassificação em situações de coação. A introdução da dedução de dois a cinco pontos por incumprimento salarial é, por si só, um marco de exigência e credibilidade. Na defesa da arbitragem, o eixo mais extenso, a FPF assume uma posição firme: proteger a imparcialidade e travar a escalada de pressão sobre quem decide. As penas aumentam, multiplicam-se os jogos à porta fechada e reforça-se a ideia de que o respeito é condição mínima para a competição. Também no plano institucional, o combate à degradação do discurso entre dirigentes ganha força, com sanções mais pesadas e suspensões alargadas.
Mas a ação da FPF não se esgota no plano disciplinar. O lançamento da campanha "Stop à Violência", para a jornada de 25 e 26 de abril nas provas organizadas pela FPF e pela Liga Portugal, demonstra uma abordagem pedagógica e mobilizadora. É um apelo à consciência coletiva, uma tentativa de envolver todos os agentes na construção de um ambiente mais saudável.
A mensagem é clara: há vigilância, há determinação e há vontade de não recuar. Ainda assim, permanece a evidência essencial: nenhum regulamento, por mais rigoroso, substitui a responsabilidade individual e coletiva. Sem uma mudança real de comportamento, de dirigentes, jogadores, treinadores, árbitros e adeptos, todas estas medidas arriscam perder eficácia. O esforço da FPF não pode ser unilateral, tem de ter eco em todos e ação de todos.
A violência não é exclusiva do futebol, mas no futebol ganha visibilidade, amplificação e influência. Sendo o desporto rei em Portugal, exige-se mais. Exige-se exemplo. É o momento de dizer Basta.
