Fernando Moraes: Atemporalidade do afeto
Nada mais belo do que a memória que ama — uma beleza que não está no tempo, mas é atemporal no sentido de dar existência ao que já não existe mais. Hoje acordei saudoso da minha avó, que já não está nesta temporalidade, mas continua cheia de vivacidade no meu existir. Lembrei-me dos seus olhos de amor diante de toda e qualquer situação da vida, como no desespero da minha mãe com os aluguéis atrasados ou com os cheques pré-datados no supermercado. A avó, sempre com alma nas palavras, deixava o ambiente esperançoso e, não sei até hoje como explicar, tudo acabava sendo resolvido, mesmo quando nada parecia ter saída. Tinha algo transcendental naquele espírito, uma incomum tranquilidade que iluminava........
