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Há que regionalizar o país a bem das populações! - antónio mário santos

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22.02.2026

Lembro-me de que, num passado eleitoral para a Presidência da República, segui, na segunda volta, a proposta de Álvaro Cunhal, para se pôr a cruz no quadradinho de Mário Soares, mesmo que certa esquerda desconfiasse mais deste do que de todos os vendedores da banha da cobra.

Relembrei esse momento, quando, em 8 de Fevereiro, era preciso decidir o voto entre António José Seguro e André Ventura. Como votara, na primeira volta, em Catarina Martins, era-me fácil a opção. Entre a seriedade e a bufonaria, entre a democracia e o autoritarismo, entre o respeito pela diferença e a xenofobia racista, o meu voto em António José Seguro não exigiu a superação de nenhum incómodo.

Claro que duvido que, Seguro eleito presidente, a realidade portuguesa se altere e ele consiga ser o mensageiro que trará ao povo trabalhador deste país a mudança política necessária para uma melhoria de vida real, ultrapassando a continuidade de escassez e insuficiência, que parece ser a seu emblema geracional.

Por muito que o deseje, e não duvido das suas boas intenções, a muralha dum grupo minoritário, as chamadas elites, detentoras de bolo económico e financeiro nacional, seguida duma maioria definida como classe média e pequeno-burguesa, cujos rendimentos se baseiam em vencimentos desiguais, mas alinhados por baixo, subordinados à manipulação duma sociedade de consumo assente no empréstimo e na cadeia prisional de impostos que a estrangulam numa vida activa e, depois, numa reforma de sufoco, sob a vigilância atenta das cadeias de televisão públicas e privadas, ambas ao serviço dos interesses dessas mesmas elites ou das suas marionetas governativas, impedi-lo-ão de qualquer tentativa séria de alteração da paz podre da desigualdade em que se sobrevive.

O país não mudou, e estas semanas de tempestades, que puseram a nu uma realidade de fragilidade estrutural, política, económica, social, ambiental, mostraram como o interior é visto pela maioria dos betinhos e snobes de Lisboa, como os classificou Ana Sá Lopes, numa crónica notável, publicada no Público de 16 de fevereiro.

Ante a descoordenação, o atraso e mesmo o ridículo, dum governo, na dimensão da calamidade que atingiu, do litoral ao interior, de norte a sul, o país real, só foi possível, de imediato, alguma minimização e apoio às populações em choque, pela solidariedade e acção das câmaras municipais e juntas de freguesia, que puseram em acção os planos municipais de protecção civil, com a acção imediata das forças de segurança, bombeiros e estruturas concelhias de saúde. E, reforce-se, com o apoio solidário dos vizinhos, essa estrutura multissecular que ultrapassa diferenças ante a ameaça da destruição do bem comum.

Entre Lisboa e as freguesias do interior, nenhum órgão intermédio responsável colmatou as fragilidades de socorro com a celeridade que se exigia.

Daí que me seja permitido dar voz a Ana Sá Lopes: «Há um problema gravíssimo de centralismo no país. Mesmo quando os decisores não são betinhos lisboetas, rapidamente, por osmose, passam a olhar para o país segundo aquela máxima “Portugal é Lisboa, o resto é paisagem». É por isso que os problemas do interior são uma doença incurável: o interior não tem voz política».

Conseguiu ver-se uma ministra da Administração Interna a não perceber nada do que se estava a passar, nem que medidas tomar, desistindo do cargo, porque a sua vida profissional foi sempre atrás duma secretária e duma sala universitária; dum ministro em mangas de camisa a mostrar-se expedito na venda da imagem; dum primeiro a ziguezaguear como de costume; de dirigentes políticos oposicionistas a inventarem chuva para distribuírem garrafas de água, ou a calcorrearem quilómetros com as televisões atrás para serem alternativas ao descalabro governamental.

Das CCDR, Comissões de Coordenação Regional, órgãos de nomeação política, divididos entre PS e PSD, com técnicos e funcionários escolhidos pelos respectivos partidos, para quem as populações não têm direito a voto, que se poderia esperar, além de cumprirem os interesses partidários dos seus decisores?

A regionalização, sempre adiada, sempre escondida pelos interesses dos políticos e elites da linha de Cascais e do Estoril, decerto teria respondido de forma mais eficaz e as forças armadas não demorariam tanto a ser colocadas ao serviço das populações.

Não sei o que António José Seguro, futuro presidente da República, com o voto maioritário da quase absoluta totalidade dos concelhos nacionais, concluída a votação das freguesias em falta, pensa da regionalização do país.

Mas, para se regenerar o que as tempestades destruíram, não pode ser deixado aos interesses dos defensores duma centralização, onde o que se promete raro se efectua, e entre o que passa o cheque e o que o recebe há demasiados intermediários a transformar em seu o que outrém paga em juros do que não recebe.

Não acreditam? É só estarem atentos ao que se vai passar…

Lembro-me de que, num passado eleitoral para a Presidência da República, segui, na segunda volta, a proposta de Álvaro Cunhal, para se pôr a cruz no quadradinho de Mário Soares, mesmo que certa esquerda desconfiasse mais deste do que de todos os vendedores da banha da cobra.

Relembrei esse momento, quando, em 8 de Fevereiro, era preciso decidir o voto entre António José Seguro e André Ventura. Como votara, na primeira volta, em Catarina Martins, era-me fácil a opção. Entre a seriedade e a bufonaria, entre a democracia e o autoritarismo, entre o respeito pela diferença e a xenofobia racista, o meu voto em António José Seguro não exigiu a superação de nenhum incómodo.

Claro que duvido que, Seguro eleito presidente, a realidade portuguesa se altere e ele consiga ser o mensageiro que trará ao povo trabalhador deste país a mudança política necessária para uma melhoria de vida real, ultrapassando a continuidade de escassez e insuficiência, que parece ser a seu emblema geracional.

Por muito que o deseje, e não duvido das suas boas intenções, a muralha dum grupo minoritário, as chamadas elites, detentoras de bolo económico e financeiro nacional, seguida duma maioria definida como classe média e pequeno-burguesa, cujos rendimentos se baseiam em vencimentos desiguais, mas alinhados por baixo, subordinados à manipulação duma sociedade de consumo assente no empréstimo e na cadeia prisional de impostos que a estrangulam numa vida activa e, depois, numa reforma de sufoco, sob a vigilância atenta das cadeias de televisão públicas e privadas, ambas ao serviço dos interesses dessas mesmas elites ou das suas marionetas governativas, impedi-lo-ão de qualquer tentativa séria de alteração da paz podre da desigualdade em que se sobrevive.

O país não mudou, e estas semanas de tempestades, que puseram a nu uma realidade de fragilidade estrutural, política, económica, social, ambiental, mostraram como o interior é visto pela maioria dos betinhos e snobes de Lisboa, como os classificou Ana Sá Lopes, numa crónica notável, publicada no Público de 16 de fevereiro.

Ante a descoordenação, o atraso e mesmo o ridículo, dum governo, na dimensão da calamidade que atingiu, do litoral ao interior, de norte a sul, o país real, só foi possível, de imediato, alguma minimização e apoio às populações em choque, pela solidariedade e acção das câmaras municipais e juntas de freguesia, que puseram em acção os planos municipais de protecção civil, com a acção imediata das forças de segurança, bombeiros e estruturas concelhias de saúde. E, reforce-se, com o apoio solidário dos vizinhos, essa estrutura multissecular que ultrapassa diferenças ante a ameaça da destruição do bem comum.

Entre Lisboa e as freguesias do interior, nenhum órgão intermédio responsável colmatou as fragilidades de socorro com a celeridade que se exigia.

Daí que me seja permitido dar voz a Ana Sá Lopes: «Há um problema gravíssimo de centralismo no país. Mesmo quando os decisores não são betinhos lisboetas, rapidamente, por osmose, passam a olhar para o país segundo aquela máxima “Portugal é Lisboa, o resto é paisagem». É por isso que os problemas do interior são uma doença incurável: o interior não tem voz política».

Conseguiu ver-se uma ministra da Administração Interna a não perceber nada do que se estava a passar, nem que medidas tomar, desistindo do cargo, porque a sua vida profissional foi sempre atrás duma secretária e duma sala universitária; dum ministro em mangas de camisa a mostrar-se expedito na venda da imagem; dum primeiro a ziguezaguear como de costume; de dirigentes políticos oposicionistas a inventarem chuva para distribuírem garrafas de água, ou a calcorrearem quilómetros com as televisões atrás para serem alternativas ao descalabro governamental.

Das CCDR, Comissões de Coordenação Regional, órgãos de nomeação política, divididos entre PS e PSD, com técnicos e funcionários escolhidos pelos respectivos partidos, para quem as populações não têm direito a voto, que se poderia esperar, além de cumprirem os interesses partidários dos seus decisores?

A regionalização, sempre adiada, sempre escondida pelos interesses dos políticos e elites da linha de Cascais e do Estoril, decerto teria respondido de forma mais eficaz e as forças armadas não demorariam tanto a ser colocadas ao serviço das populações.

Não sei o que António José Seguro, futuro presidente da República, com o voto maioritário da quase absoluta totalidade dos concelhos nacionais, concluída a votação das freguesias em falta, pensa da regionalização do país.

Mas, para se regenerar o que as tempestades destruíram, não pode ser deixado aos interesses dos defensores duma centralização, onde o que se promete raro se efectua, e entre o que passa o cheque e o que o recebe há demasiados intermediários a transformar em seu o que outrém paga em juros do que não recebe.

Não acreditam? É só estarem atentos ao que se vai passar…

O interesse do homem pelos movimentos e ciclos astrais é milenar. Por todo o planeta, monumentos e descobertas arqueológicas revelam esse interesse. Primariamente motivados pela passagem das estações do ano, ciclo do qual dependia o sucesso da agricultura, vital para a sobrevivência, até outras previsões, mais ligadas à superstição, embora calculadas por uma protociência baseada essencialmente no registo de acontecimentos coincidentes, por vezes justificados por vezes casuais, retiravam-se interpretações dos tempos por vir. (ler mais...)

Em todos os desastres naturais que têm afectado o território nacional, sem excepção, fazem-se diagnósticos e prometem-se novas atitudes. Isto sejam incêndios, cheias ou inundações ou ondas de calor. (ler mais...)

O Chanceler Alemão, Friedrich Merz, declarou que “A Europa regressou de umas férias da História”. Sublinhou que a ordem internacional, vinda com o fim da segunda guerra mundial, acabou. Voltar à História é uma péssima notícia. (ler mais...)

O resultado da primeira volta é esclarecedor. A direita neoliberal e social-democrata, dividida por três candidatos, saiu derrotada. A AD e a Iniciativa Liberal, os que mais sofreram: se Luís Marques Mendes soube assumir, com dignidade a derrota, João Cotrim Figueiredo demonstrou, de forma arrogante, a incapacidade duma perda absolutamente esperada, já que o centro-direita que a AD representa, nele, numa primeira volta, não votaria, e parte da sua base de apoio não liberal estava a ser disputada, nas redes sociais, pelo Chega. (ler mais...)

As eleições de domingo, apesar de faltar ainda uma volta, têm vencedores e derrotados claros. Vencedores:

António José Seguro. A sua vitória e votação, bem acima do expectável, tem um único protagonista: ele mesmo. (ler mais...)


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