Painéis fotovoltaicos ou a identidade patrimonial de uma cidade
Provavelmente já vamos tarde, tal é o número de atentados ao património, à paisagem urbana e arquitetónica do centro histórico de Torres Novas.
Quase tudo começou com o desleixo e o abandono de centenas de imóveis que hoje ou são ruínas em perigo para quem passa ou em alguns casos são espaços vazios emparedados fruto da intervenção forçada do município.
Ao longo de dezenas de anos fomos assistindo impávidos e serenos (nem todos) à complacência dos executivos municipais. Nada, mesmo nada, fizeram para inverter a situação, o comércio migrou para outras centralidades, outros interesses falaram mais alto.
Intervenções existiram, mas algumas acertaram ao lado, a Praça dos Claras é disso exemplo. Onde alguns eram obrigados, e bem, a cumprir o normalizado para os telhados, a própria Câmara Municipal borrifou-se nas normas e colocou um telhado de zinco, paredes meias com o Castelo, monumento nacional. O mesmo destino teve a Praça do Peixe, para não falar do caso do edifício privado, onde está instalado um banco, mesmo ao lado do Mercado Municipal, um “meio edifício” transformado em “aquário”, em contramão com o alinhamento da avenida.
O espaço público não tem tido melhor sorte, veja-se a quantidade de adornos no largo D. Diogo Fernandes de Almeida e a opção por colocar obstáculos à circulação dos peões nos passeios (!!).
Isto para chegarmos à nova ocupação do parque de estacionamento de S. Pedro (vulgo parque da Econova). É visível um novo arranjo que passa pela colocação de painéis solares fotovoltaicos que vai criar uma nova paisagem naquele espaço e na sua envolvência. O parque fica a menos de 50 metros do Castelo o que quer dizer que está dentro da Zona de Proteção de Imóvel Classificado, Decreto lei 309/2009.
Acontece que também aquele espaço se encontra dentro da Área de Reabilitação Urbana (ARU) Centro Histórico, instrumento de ordenamento e normalizador da mesma zona, aprovado pelo Município e publicado em Diário da República. Esta ARU contém um conjunto de normas e recomendações a serem seguidas nas construções e reabilitações de forma a respeitar a história e a traça arquitetónica do centro histórico.
Transcrevo uma pequena parte do seu texto – “Aprovar mecanismos que garantam o cumprimento das boas práticas construtivas e a coerência/consonância arquitetónica do edificado existente e a construir; Proteger o património intrínseco do centro histórico, garantindo a preservação das características do edificado.”
Esqueçamos por momentos a questão do enquadramento legal e imagine-se o centro histórico com uma ou mais instalações idênticas a esta, é isso que queremos? Corremos o risco, na minha opinião, de descaraterização total do que existe hoje, é o fim da identidade cultural desta cidade.
A falta que nos faz a implementação de um plano de pormenor de salvaguarda, -PPS- do Centro Histórico da cidade, mas para isso é preciso haver estratégia para o território.
Os tempos que correm são propícios a estes atentados, ao património, à cultura e à história, mas também é tempo de resistir.
Bem sei que as alternativas energéticas ao petróleo como os painéis solares são importantes, mas não podem sê-lo a todo o custo, nomeadamente da identidade das cidades e vilas, das terras produtivas, das árvores. Há outras alternativas para a colocação dos painéis solares, há que procurar.
Provavelmente já vamos tarde, tal é o número de atentados ao património, à paisagem urbana e arquitetónica do centro histórico de Torres Novas.
Quase tudo começou com o desleixo e o abandono de centenas de imóveis que hoje ou são ruínas em perigo para quem passa ou em alguns casos são espaços vazios emparedados fruto da intervenção forçada do município.
Ao longo de dezenas de anos fomos assistindo impávidos e serenos (nem todos) à complacência dos executivos municipais. Nada, mesmo nada, fizeram para inverter a situação, o comércio migrou para outras centralidades, outros interesses falaram mais alto.
Intervenções existiram, mas algumas acertaram ao lado, a Praça dos Claras é disso exemplo. Onde alguns eram obrigados, e bem, a cumprir o normalizado para os telhados, a própria Câmara Municipal borrifou-se nas normas e colocou um telhado de zinco, paredes meias com o Castelo, monumento nacional. O mesmo destino teve a Praça do Peixe, para não falar do caso do edifício privado, onde está instalado um banco, mesmo ao lado do Mercado Municipal, um “meio edifício” transformado em “aquário”, em contramão com o alinhamento da avenida.
O espaço público não tem tido melhor sorte, veja-se a quantidade de adornos no largo D. Diogo Fernandes de Almeida e a opção por colocar obstáculos à circulação dos peões nos passeios (!!).
Isto para chegarmos à nova ocupação do parque de estacionamento de S. Pedro (vulgo parque da Econova). É visível um novo arranjo que passa pela colocação de painéis solares fotovoltaicos que vai criar uma nova paisagem naquele espaço e na sua envolvência. O parque fica a menos de 50 metros do Castelo o que quer dizer que está dentro da Zona de Proteção de Imóvel Classificado, Decreto lei 309/2009.
Acontece que também aquele espaço se encontra dentro da Área de Reabilitação Urbana (ARU) Centro Histórico, instrumento de ordenamento e normalizador da mesma zona, aprovado pelo Município e publicado em Diário da República. Esta ARU contém um conjunto de normas e recomendações a serem seguidas nas construções e reabilitações de forma a respeitar a história e a traça arquitetónica do centro histórico.
Transcrevo uma pequena parte do seu texto – “Aprovar mecanismos que garantam o cumprimento das boas práticas construtivas e a coerência/consonância arquitetónica do edificado existente e a construir; Proteger o património intrínseco do centro histórico, garantindo a preservação das características do edificado.”
Esqueçamos por momentos a questão do enquadramento legal e imagine-se o centro histórico com uma ou mais instalações idênticas a esta, é isso que queremos? Corremos o risco, na minha opinião, de descaraterização total do que existe hoje, é o fim da identidade cultural desta cidade.
A falta que nos faz a implementação de um plano de pormenor de salvaguarda, -PPS- do Centro Histórico da cidade, mas para isso é preciso haver estratégia para o território.
Os tempos que correm são propícios a estes atentados, ao património, à cultura e à história, mas também é tempo de resistir.
Bem sei que as alternativas energéticas ao petróleo como os painéis solares são importantes, mas não podem sê-lo a todo o custo, nomeadamente da identidade das cidades e vilas, das terras produtivas, das árvores. Há outras alternativas para a colocação dos painéis solares, há que procurar.
Provocou alarido a investigação do Público sobre a presença, em espaço escolar, de influenciadores tidos como pouco recomendáveis. Foram detectados 80 casos. Discutiu-se o papel dos directores, mas também do Ministério da Educação, no controlo das entradas nas escolas. (ler mais...)
Não posso, nem quero, precisar um ponto no tempo para quando se iniciou o processo, mas decorreu algum desde que existe investimento significativo numa engenharia social destinada a politizar o maior número possível de aspectos da vida do cidadão. (ler mais...)
Com alguma atenção, mas um certo sentido de distância, tenho seguido directamente as sessões destes primeiros meses da política municipal da Câmara de Torres Novas, presidida pelo Dr. José Manuel Trincão Marques. (ler mais...)
O interesse do homem pelos movimentos e ciclos astrais é milenar. Por todo o planeta, monumentos e descobertas arqueológicas revelam esse interesse. Primariamente motivados pela passagem das estações do ano, ciclo do qual dependia o sucesso da agricultura, vital para a sobrevivência, até outras previsões, mais ligadas à superstição, embora calculadas por uma protociência baseada essencialmente no registo de acontecimentos coincidentes, por vezes justificados por vezes casuais, retiravam-se interpretações dos tempos por vir. (ler mais...)
Em todos os desastres naturais que têm afectado o território nacional, sem excepção, fazem-se diagnósticos e prometem-se novas atitudes. Isto sejam incêndios, cheias ou inundações ou ondas de calor. (ler mais...)
Lembro-me de que, num passado eleitoral para a Presidência da República, segui, na segunda volta, a proposta de Álvaro Cunhal, para se pôr a cruz no quadradinho de Mário Soares, mesmo que certa esquerda desconfiasse mais deste do que de todos os vendedores da banha da cobra. (ler mais...)
O Chanceler Alemão, Friedrich Merz, declarou que “A Europa regressou de umas férias da História”. Sublinhou que a ordem internacional, vinda com o fim da segunda guerra mundial, acabou. Voltar à História é uma péssima notícia. (ler mais...)
O resultado da primeira volta é esclarecedor. A direita neoliberal e social-democrata, dividida por três candidatos, saiu derrotada. A AD e a Iniciativa Liberal, os que mais sofreram: se Luís Marques Mendes soube assumir, com dignidade a derrota, João Cotrim Figueiredo demonstrou, de forma arrogante, a incapacidade duma perda absolutamente esperada, já que o centro-direita que a AD representa, nele, numa primeira volta, não votaria, e parte da sua base de apoio não liberal estava a ser disputada, nas redes sociais, pelo Chega. (ler mais...)
As eleições de domingo, apesar de faltar ainda uma volta, têm vencedores e derrotados claros. Vencedores:
António José Seguro. A sua vitória e votação, bem acima do expectável, tem um único protagonista: ele mesmo. (ler mais...)
