Portugal Hoje. As eleições, as ideias, os jovens
O título deste meu artigo de hoje não é novo. O subtítulo sim, é. José Gil, o autor de Portugal Hoje, o Medo de Existir (Relógio d’Água, 2007), é o pai da expressão que convoco: ‘Portugal Hoje’. Mas este hoje, sendo ainda o mesmo hoje de há dezoito anos, não é exatamente – na forma e no conteúdo – o ‘Hoje’ do filósofo e professor português. Numa das passagens instigantes desse livro marcante (mas quem o lê, ou relê hoje?), José Gil acerta em cheio num dos alvos em que temos de acertar se quisermos entender (e procurar ir solucionando) um problema que temos connosco próprios: Portugal.
Nesse livro, escrevia o autor do ensaio de 2007 o seguinte: «A União Europeia já entrou em nós e modificou o nosso mapa geográfico, as nossas leis, a nossa economia, fez desaparecer muitos comportamentos ancestrais, perturbou a nossa afectividade social, deslocando-a, pervertendo-a, abolindo-a em múltiplos casos. Mas se a Europa entro em nós, nós ainda não entrámos na Europa. Às transformações económicas e tecnológicas que a Comunidade Europeia impõe ao nosso país, nós respondemos com a resistência (sobretudo passiva) que se apoia em velhas estratégias de inteligência da sobrevivência que têm décadas, talvez séculos. Moldadas em estratos inconscientes, elas condicionam os principais reflexos de defesa, constituindo uma verdadeira barreira ao ‘desenvolvimento’».
José Gil dignostica, em seguida, as razões do nosso atraso: não fizemos «revoluções radicais» na educação que, segundo Gil, é «condição primeira do desenvolvimento». Igualmente não operámos mudanças essências na economia e na administração pública, na reforma fiscal e na investigação científica. José Gil não refere a Justiça – mas aqui impera também o marasmo, a resistência. Tese: «Perdemos – estamos a perder – uma oportunidade única. O nosso frágil tecido económico........
© Jornal SOL
