Soberania Digital Europeia: da Retórica à Infraestrutura
Trabalho em infraestruturas tecnológicas há mais de vinte anos com os grandes fornecedores globais, da Microsoft à AWS, da Google à HPE, e reconheço sem reservas a qualidade das suas plataformas. O verdadeiro problema surge quando não há alternativas.
A nuvem que não é nossa
Mais de 70% da Cloud pública na Europa pertence à AWS, Azure e Google Cloud[1] – três empresas americanas. Quando ajudo clientes a desenhar arquiteturas Cloud, a conversa raramente inclui uma alternativa europeia. Não porque os clientes não queiram, mas porque não existem empresas com esse nível de maturidade na Europa – e isso é uma falha europeia, não um problema americano.
Além do mercado, há uma dimensão jurisdicional que não podemos ignorar. O Cloud Act americano permite ao governo dos EUA aceder a dados armazenados por empresas americanas, independentemente de onde estejam os servidores. Os dados de um hospital português na Azure estão, em última análise, ao alcance de uma decisão judicial americana. Não é culpa da Microsoft. Trata-se de uma questão da legislação do seu país de origem. Mas é um fator que deveríamos ter em consideração.
O GAIA-X deveria ser o embrião de uma resposta europeia: um ecossistema federado, transparente e interoperável. O conceito continua válido, mas a execução tem sido lenta e fragmentada, e a presença dos próprios hyperscalers no consórcio levanta........
